Pessoas de vários tipos se abrigam debaixo de um só teto

Foto:Rafael Ferreira

Seni Gonçalves e o novo hit do verão: "Liberdade para quem trabalha, queremos reforma agrária
, MST!".

O Albergue tem o papel de acolher pessoas que não têm uma moradia fixa e que passam por necessidades de saúde, financeiras, ou as duas. E o local onde se encontra a sede também não está em uma situação nada agradável.

Quando se olha para a fachada, lá estão as cores características de alguns órgãos públicos do município, laranja e verde, bem desbotadas. À frente, uma ambulância, com parte da lataria enferrujada.
Junto ao homem que limpava o veículo, dois tenentes, César e Samuel, que também estavam a trabalho. Simpáticos, indicam a sala de Júlio Antônio Silva, coordenador do Albergue.

Júlio Antônio Silva, coordenador há dois anos, relata que está "demorando" no cargo, pois sempre existe um remanejamento de pessoas pela administração. Ele tem uma preocupação até invejável: não vê a hora do Albergue prosperar.
Pessoas de várias idades passam pelo local, principalmente homens. As mulheres, quando aparecem, trazem consigo "uma trouxa" de três a quatro crianças, às vezes até sete. Os números mostram o quadro nacional da falta de informação quanto a métodos contraceptivos e também contra doenças sexualmente transmissíveis.

Júlio Antônio citou o caso de uma senhora de 44 anos que chegou ao Albergue com gonorréia, cancro e indícios de estar contaminada com HIV. Ela acobertou seus problemas de sáude e foi descoberta no momento do banho, pois quem se encontrava no banheiro feminino não suportou o odor característico de doenças deste tipo.

Dentre estes casos, também há uma preocupação com a tuberculose. Nessas situações, a pessoa é encaminhada para um posto de sáude o mais rápido possível.

As instalações são velhas e antiquadas: portas com trancas podres, janelas com grades. O Albergue até parece uma espécie de maquete do Carandiru. Mas Júlio não se incomoda em mostrar o local.

Dentro da sede, um cheiro insuportável de urina teima em entrar nas narinas. Parece que o pessoal já se acostumou com o odor. Mais à frente, um grande salão com um forro do teto, parcialmente mofado, ameaça cair aos pedaços pelo excesso de chuva. No interior deste salão, algumas mesas com acomodação para aproximadamente vinte pessoas, uma pequena televisão e um rádio toca-fitas que parecem ter saído de um antiquário. Aparelhos doados que servem de entretenimento para os alojados ou itinerantes.

Adão Gomes de Souza, 47 anos, vindo de Malacaxeta, norte de Minas Gerais, não é nenhum desocupado. Veio buscar emprego em Uberaba e deixou seus pais, em sua terra natal. Senhor de pele queimada pela luz do sol, olhos vivos, pedreiro, com um corpo nem tão forte e muito menos minguado, já está de saída para voltar ao norte de Minas.

A ala masculina não é diferente da feminina mas, por outro lado, a higiene anda faltando aos homens. No banheiro encontra-se urina e fezes em qualquer canto, como se tudo tivesse virado uma grande privada.

 

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