"Eu mesmo" e "mim mesmo"detonam em encontro de fanzineiros

Foto: Graziela Christina de Oliveira

Nas aulas, os meninos passavam a maior parte do tempo desenhando na agenda. A agenda virou uma revista.

Os gêmeos André e Davi, estudantes de Publicidade, transformaram crise existencial em quadrinho japonês

Graziela Christina de Oliveira
1o. ano de jornalismo


Cavaleiros do Zodíaco, Yu Yu Hakusho, Saylor Moon, Dragon Ball Z, Pókemon, Digimon, Sakura Card Captor. Com certeza você já ouviu falar em algum destes desenhos e até deve ter visto algum pelo menos uma vez. São os desenhos japoneses, ou como são mais conhecidos, animes.

Os desenhos japoneses viraram uma febre nos últimos anos. No Brasil, as animações japonesas começaram a surgir no final da década de 60, como Kimba, o Leão Branco, de Tezuka, e o Grande Dínamo.

Osamu Tezuka foi o grande criador dos animes e mangas (como são chamados os quadrinhos no Japão). Lá, ele é conhecido como o mestre dos mangas. A principal característica destes desenhos – os olhos enormes- foi baseado nos espetáculos em que ele assistia, onde os artistas faziam uma maquiagem que ressaltava os olhos. Osamu adorou esta idéia e, a partir dela, começou a fazer os primeiros traços que conhecemos hoje.

Nos anos 70, vieram as grandes produções como a série Speed Race. Na década seguinte, foi a vez de Pirata do Espaço e Dom Drácula.
Mas o sucesso mesmo veio nos anos 90 e os brasileiros entraram de cabeça no mundo da animação japonesa com suas histórias fantásticas cheias de heróis e aventuras.

O interesse dos gêmeos André e Davi por histórias em quadrinhos começou cedo. Aos nove anos, André não perdia uma edição da Turma da Mônica, por isto se inspirou no criador dos personagens da turma, Maurício de Souza, para fazer o próprio trabalho. Outros criadores de quadrinhos como os cartunistas Ziraldo e Angely também contribuíram para despertar a atenção dos meninos.

Mas, com o tempo, os meninos começaram a se interessar por outros desenhos, como X-Men, Homem Aranha e Capitão América. "O tempo vai passando e você quer fazer algo mais sério, organizado e melhor trabalhado", conta Davi.
A idéia era contar uma história e, a primeira que surgiu, foi a de sete anjos que fariam parte de uma aventura. Estes acabariam por encontrar o próprio desenhista deles, o que seria uma outra sátira. E no meio de tudo isso, apareceu então o famoso personagem EU MESMO, que seria o desenhista. Mas os garotos viram que esta idéia não era tão legal.

Mesmo não confiando nessa história, o personagem já existia e, como seu criador André mesmo disse, tratava-se de uma figura bastante egocêntrica.
Então Davi achou que se havia o EU MESMO, tinha que haver outro também. Daí nasceu mais um personagem, o irmão MIM MESMO, outro ser egocêntrico.
A história desses dois irmãos conta, na verdade, a vida de seus criadores. A maneira como foi documentada remete à forma que a Bíblia foi escrita: "...quase tudo é verdade, mas não aconteceu do jeito que está escrito", explica o editorial do primeiro capítulo. "O fanzine tem tudo o que aconteceu com a gente e tudo o que esperamos que aconteça, mas de maneira surreal", disse Davi.

E como irmãos, não poderia faltar uma boa dose de brigas. "Brigamos 25 horas por dia, mas como amigos", revela André. Eles contam que, quando tinham 17 anos, uma crise de identidade se abateu sobre os dois. Como gêmeos, as pessoas os viam como uma única pessoa e isso contribuía para aumentar as brigas. Eles dizem, ainda, que brigavam na tentativa de se livrarem um do outro e assumirem a própria identidade. Mas no fundo, eles dizem que são amigos, só que não vão assumir isso publicamente.

Mas graças as "crises", veio o CRISE (Cada Razão Insiste Ser Especial), único nome possível para o fanzine. Além dos personagens principais, outros surgiram no decorrer da história. Como homenagem, o cachorrinho Poti também está na trama, mas, agora, vivendo um cão normal.

Em setembro do ano passado, surgiu o site dos garotos e, desde janeiro, as pessoas podiam ler CRISE na Internet. A primeira edição, Amor de Irmão, marca o início desta aventura que se passa no Planeta Mundo, cheia de anjos e demônios. Além destes, existem os k-çadores, que foram batizados em homenagem aos desenhistas preferidos dos meninos.

A segunda edição, Irmãos de Amor, continua a saga destes personagens. O terceiro capítulo, também já está pronto: Embroméichoam Uam: Morrer não é lá essas coisas.

 

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