Alunos de odontologia aprendem a trabalhar socialmente

Projeto procura estimular prevenção de doenças e hábitos saudáveis nas crianças


Os alunos Tiago Brasil e Luiz Freire trabalham no consultório especialmente montado para o projeto.





Micheli Bernardeli
Soraya Higino
3 período de jornalismo


Os alunos do oitavo período do curso de odontologia da Universidade de Uberaba, na realização da disciplina Odontologia Social e Preventiva, contam com um espaço na Escola Estadual Henrique Krüger, situada no conjunto Alfredo Freire I. O projeto segue os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), o qual valoriza o sistema de ação coletiva e prioriza a promoção e a prevenção da saúde.

Realizados duas vezes por semana, os atendimentos são na segunda e na sexta-feira. A turma que atende na parte da manhã cuida dos alunos de quinta a oitava série do ensino fundamental e dos de primeira a terceira série do ensino médio. Os que atendem à noite supervisionam os alunos de primeira a terceira série do ensino médio, os quais são adultos. Com esse grupo é feito um trabalho de prevenção, promoção e atendimento clínico.

Já no período da tarde o serviço prestado é ainda mais completo. Cerca de cinquenta crianças, de primeira a quarta série do ensino fundamental, tem toda semana a escovação supervisionada e o bo-checho com flúor, e duas vezes por semestre é feita a evidenciação de placa e um índice de higiene oral. Mediante o resultado, o flúor gel é aplicado, sendo usado na própria escova de dentes. Após a segunda apli-cação, é feita uma com-paração entre as duas ações para analisar se houve progresso. "O trabalho de educação para a saúde é visto a médio e longo prazo. Uma escovação tem resultado imediato, mas uma diminuição no índice de cáries de-mora mais para ver resultado", afirma a professora do curso de odontologia Viviane Miranda Bartonelli.

Além disso, os familiares das crianças do turno vespertino também recebem auxílio. Primeiramente, é feito um cadastro com os dados dos moradores da casa ( quantas pessoas residem, a idade, a ocupação, a escolaridade e a renda). Há outra ficha de acompanhamento das ações , na qual é registrado o tipo de procedimento que foi realizado – educação em saúde, evidenciamento de placas, escovação supervisionada ou aplicação supervisionada de flúor). " O resultado é muito bom. A família aprova, acompanha e participa", diz a vice-diretora da escola Maria de Lourdes Alves.

Histórico


Anteriormente, teve o projeto Pato Branco, que era de extensão universitária e foi criado pela universidade. Iniciou em 1984 e vigorou até 1998 tendo um visão diferente da que se tem hoje: prestava atenção às escolas estaduais previamente cadastradas, com uma equipe de alunos e professores universitários, sendo um atendimento especificamente clínico.

O critério de seleção para a escolha do bairro Alfredo Freire não foi a carência dele, mas sim o fato de ser afastado da cidade.

Dificuldades

Segundo os professores que acompanham o projeto, a maior dificuldade é a resistência dos alunos. " No começo, os estudantes não entendem muito bem o que fazem aqui devido ao choque de realidade. Eles ingressam no curso visando apenas o atendimento clínico, ou seja, ter seu próprio consultório, com muitos pacientes e ganhando muito dinheiro. Porém, quando chegam aqui, percebem que a realidade pode ser um pouco diferente e que eles têm que ter uma noção de saúde coletiva", conclui Viviane.




 

 

 

 


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