Jornalismo
literário propõe humanização da narrativa
Palestra
no lançamento de livro do jornalista Sérgio Vilas Boas
reúne mais de cem estudantes
Cícera
Gonçalves
7 período de Jornalismo
Biografias &
biógrafos: jornalismo sobre personagens é o novo livro
do escritor e jornalista Sérgio Vilas Boas. A noite de autógrafos
e palestras, no último dia 20, às 19h, reuniu vários
alunos no anfiteatro da Biblioteca do Campus II. O coordenador do curso
de jornalismo, Raul Vargas fez a apresentação e posteriormente
passou a palavra para os palestrantes. As palestras foram ministradas
pelo diretor e professor do Curso de Comunicação Social,
Edvaldo Pereira Lima, sobre Jornalismo Lite-rário e Histórias
de Vida na Uniube, e o escritor e professor da Universidade de Uberaba
Sérgio Vilas boas, com Biografias e seus encantos.
Edvaldo Pereira destacou a importância do jornalismo literário
nos cursos de Comunicação e a valorização
do ser humano. "O livro do Sérgio fala de histórias
de vida como sendo um elemento chave do jornalismo; a busca de relatar
histórias de pessoas e isso sensibiliza os jovens a fazer um
jornalismo mais sensível, com mais profundidade, construtivo
e ético". Para ele, o jornalismo literário é
uma forma de narrar envolvente que proporciona a descoberta de coisas
novas, citando como exemplo os perfis. "Os perfis são formas
de narrativas que colocam as pessoas em primeiro lugar".
Como um exemplo próximo da prática do jornalismo literário,
Edvaldo mencionou o jornal Revelação. "Ás
vezes, muitas reportagens interessantes sai no Revelação
e a imprensa depois vai atrás, e com isso nós conseguimos
levar um enfoque mais humanizado", explica.
O professor Sérgio Vilas Boas abriu a palestra com um trecho
do seu livro que diz: "Brutalidade e banalidade rimam com nossos
tempos. Nunca indi-víduo pôde exercer seu individualismo
de forma tão radical. Por outro lado, encontra-se impo-tente,
solitário, acua-do. Qualquer pro-cesso de transmissão
de conhecimento_ na escola, em casa ou no trabalho_ tem de levar em
conta essa crise. Para tirar a humanidade do "grau zero dos sentidos",
expressão usada pelo sociólogo Muniz Sodré a propósito
dos reality-shows da tv, precisamos de memória, consciência
e conforto para nossa hitória pessoal".
Ao terminar o trecho ele disse: "Eu quis ler esse trecho mais por
uma preocupação que tenho dentro de mim, em relação
à condição humana no momento que é um tema
central para quem se propôs a escrever ou estudar biografias".
Lembrou também que o que leu não é nada que vem
de uma constatação ou inquietação recente,
mas que vem sendo repetida pela própria imprensa convencional.
Biografias e seus encantos
Sérgio Vilas Boas analisa três biografias em seu livro
Biografias e biógrafos: jornalismo sobre personagens, e que estão
na lista dos mais vendidos na década de 90: Mauá, de Jorge
Caldeira, Chatô - o Rei do Brasil, de Fernando de Morais, e a
Estrela Solitária, de Rui Castro. "A biografia é
cheia de encantos e esses encantos fizeram com que a biografia chegasse
a um alto nível de procura, principalmente nos últimos
dez anos, é um sinal positivo que se opõe a tudo o que
eu disse anteriormente na imprensa brasileira". Comentou o escritor.
Explicou ainda que quaisquer biografias escritas por jornalistas tiveram
um papel importante de fazer um resgate desses seres humanos, em seus
sentimentos também naquilo que não é mensurável.
"O trabalho do biógrafo não é isento de problemas
e jamais será, porque ele tem que lidar com limites e impossibilidades,
e o maior limite que tem é a impossibilidade total de cobrir
por inteiro uma vida humana".
O jornalista já escreveu outros dois livros: Estilo magazine,
e Os Estrangeiros do Trem N vencedor do premio jabuti de 1998,
trabalhou no jornal Gazeta Mercantil e Folha de São Paulo. O
escritor estará lançando ainda neste semestre um livro
com o título "Perfis" uma coletânea de
doze perfis escritores que publicou, quando era repórter do jornal
Gazeta Mercantil no caderno de cultura.
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