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Uma aventura em Buenos Aires

Pamela Gamboa

No verão de 1998, minha família decidiu fazer alguma coisa diferente, alguma coisa empolgante e aventureira, atitude rara no que se diz respeito ao meu núcleo familiar! Estávamos pensando em visitar uns amigos que moravam em Córdoba, na Argentina, mas não tínhamos dinheiro para ir de avião — três passagens iriam sair uma fortuna! Decidimos ir de ônibus!

A viagem São Paulo-Buenos Aires demora trinta e seis horas!, contando as paradas de três em três horas, mais ou menos. Um dia e meio viajando de ônibus! Eu achei um absurdo no começo: meus pais piraram!!

Preparamos nossas malas e quando chegou o grande dia subimos no ônibus empolgados como nunca. O ônibus não era tão ruim assim como eu achava; era espaçoso e os assentos quase que deitavam, preparados para ficar na estrada por muito tempo!

Do meu lado veio uma paulistana que iria a Buenos Aires casar. Seu noivo era argentino e eles decidiram fazer as bodas lá porque, segundo ela, era mais romântico.

A viagem foi transcorrendo bem. Passamos por Curitiba, por Santa Catarina (não paramos em nenhuma cidade específica), Porto Alegre, até que chegamos na fronteira, Foz de Iguaçú. Passamos do lado das cachoeiras, espectaculares!!

Mais algumas horas e estávamos em Buenos Aires. Era de manhãzinha quando entramos no hotel, um casarão velho, com um elevador que tinha uma grade toda enferrujada. O porteiro estava vestido à moda antiga, tudo parecia um filme de suspense.

Depois de dormir algumas horas, decidimos conhecer a cidade — e a melhor forma de se fazer turismo é andando. Uma das principais avenidas da cidade é a Corriente, justamente onde localizava-se o hotel. Já que estávamos ali mesmo, fomos seguindo o tráfego. Andamos, andamos, e a avenida não terminava nunca! Uma coisa que pudemos observar é a influência da Europa neste país, principalmente da Esapnha e da Itália, no modo de falar, na etnia da população, nas roupas, nos sobrenomes. Outra coisa interessante é o predomínio da população branca — em nossa estadia na cidade não vimos uma única pessoa negra ou índia. Eu, que sou descendente de afro-americanos , era a pessoa mais escura da avenida, e as pessoas olhavam — imagino que pensavam que eramos estrangeiros, espero que tenha sido isso!

Bom, continuamos pela avenida até que vimos uma das coisas mais importantes de Buenos Aires, a " Plaza de Mayo". Nessa praça, toda quinta feira as mães dos desaparecidos da ditadura se reúnem e formam um círculo em volta do monumento, um protesto pacífico dessas mulheres sofredoras. No lugar ao chão onde elas se reúnem, estão desenhadas umas mulheres de mãos dadas, todas com um lenço branco na cabeça. É a parte mais emocionante da viagem Atrás da praça pode se ver a Casa Rosada, o palácio de governo argentino, onde o presidente pode ver claramente "las Madres de la Plaza de mayo" protestando em silêncio.

Depois de ficar um bom tempo na praça decidimos explorar o resto da cidade. Para isso, pegamos o metrô: os vagões são velhos, parecem de filme dos anos 50. Por fora são todos pixados, como o famoso metrô de Nova Iorque. Paramos em uma estação que fica perto da rodoviária para comprar as passagens para Córdoba — afinal, esse era nosso destino. Sairíamos no outro dia, bem cedo.

Durante nossa caminhada, notamos que não haviam muitos carros na rua. Haviam alguns, mas não aquela loucura como em São Paulo. Pensamos que todo mundo estava trabalhando em outra parte da cidade que não conhecíamos. Qual não foi nossa surpresa quando saímos para jantar, lá pelas oito horas da noite, e as ruas estavam totalmente lotadas de carros, motos, bicicletas, gente, parecia um sonho surreal! A cidade estava acordando, os barzinhos lotados, os restaurantes, tudo! Parecia que todo mundo tinha decidido sair de casa ao mesmo tempo e ir para a balada. Foi aí que descobrimos que Buenos Aires é uma cidade noturna, e que as melhores coisas, os melhores restaurantes estao disponíveis à noite.

Como precisavamos acordar cedo para nossa ida à Cordoba, decidimos ir para o hotel e descansar. No outro dia fomos para a rodoviária e à medida que andavamos pelas ruas nos despedíamos daquela linda cidade!

Foi assim que nossa estadia mágica em Buenos Aires terminou, nostálgica!

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