A guerra e o meio ambiente

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Mariana do Espírito Santo
2 período de Jornalismo

As atividades humanas produzem impactos ambientais em todos os aspectos, principalmente no ambiente sócio-econômico-cultural. Em muitas atividades, a consciência ecológica ajudou a criar práticas de redução desses choques negativos. Leis foram aprovadas e instituições estruturadas. Criaram-se procedimentos e ferramentas como a avaliação de riscos e licenciamento ambiental, que contribuem para prevenir, reduzir ou acabar com tais destruições. Entretanto, esses cuidados ainda não foram estendidos à atividade humana potencialmente mais degradante e poluidora do ambiente.
Dentre todas as atividades humanas, a guerra é a que tem maior possibilidade de gerar conseqüências negativas e sofrimento para as pessoas e ao meio ambiente.

O alto impacto ambiental das guerras encontra-se presente em todo o ciclo de vida dos conflitos armados: da extração das matérias-primas à indústria de armamentos, passando pelo uso e aplicação desses últimos, até a sua disposição final, constituída pelos resíduos atômicos, químicos e bacteriológicos. Isso sem falar nas conseqüências tristes dos atos ter-roristas ou do uso de armas biológicas nas guerras convencionais. Como exemplo, a possível propagação intencional do botulismo, da varíola e do antraz e também o desmatamento ocasionado pelo napalm e outras armas de guerra.

O urânio usado nas balas contamina o ambiente com radio-atividade e dissemina doenças como o câncer. A contaminação dos rios e a perda de potencial do solo pela disseminação das minas terrestres, que mutilam pessoas e animais, ou o uso da bomba de nêutrons - a chamada "bomba capitalista" (porque destrói a população mas preserva o patrimônio material), são outros exemplos do potencial de degradação e conta-minação ambientais causados pelas ativi-dades bélicas.

O emprego da força e da violência têm, ainda, custos psico-lógicos e subjetivos importantes e nem sempre considerados, retardando ou prejudicando o desen-volvimento do ser humano devido ao ódio, aos ressentimentos e mágoas que provo-cam e se multiplicam.

Procedimentos como as avaliações de impacto e licencia-mento ambiental deveriam ser obje-tos de acordos internacionais obrigatórios, visando o bem da humanidade. Isso ajudaria a desenvolver a consciência humana a respeito das conseqüências da guerra.

A aplicação rigorosa dos proce-dimentos de avaliação prévia de impactos ambientais às atividades bélicas poderia levar, no limite, à sua inviabilização. Isso implica o exor-bitante aumento de seus custos, e a extensão do tempo para a busca de consenso em torno da sua necessidade e seu eventual preparo. Nesta fase, inclusive, poderiam e deveriam ser colocadas em prática todas as técnicas diplomáticas e de mediação e resolução não-violenta de conflitos, com vistas a evitar os embates.

Essas podem ser idéias utópicas, mas merecem ser consideradas, já que todas as guerras constituem um fator destrutivo para o ambiente e, conse-qüentemente, para o ser humano. As destruições só serão abolidas quando se tornarem psicologicamente intoleráveis, da mesma forma como a abolição dos escravos.

Na fase atual da evolução humana, a ética social costuma seguir os valores mercantilistas e capitalistas. A crescente pressão sobre os recursos naturais como água, flora e fauna, o solo, as florestas e especialmente o petróleo (base da matriz energética da civilização contemporânea), vem potencializando o risco de conflitos e propagando a violência entre as sociedades e grupos sociais.

Nesse contexto, o próprio poder de degradação ambiental das guerras poderá tornar-se um fator adicional que acabará por levar à extinção deste último. Esta será uma forma de resolver qualquer conflito, mas, acredito, acontecerá em um estágio mais avançado de evolução humana.

 

 

 

 


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