O
lado psicológico do desemprego
Depressão
e ansiedade dificultam reinserção no mercado de trabalho
Wesley Jacinto
7Período de Jornalismo
As causas do desemprego no país são, antes de tudo, de
ordem estrutural; quer dizer, ele é visto pelo sistema econômico,
pelo capitalismo como parte do próprio sistema. Podendo incluir
outras causas imediatas como as de ordem social, política e econômica.
De acordo com o professor de sociologia da Universidade de Uberaba,
Delson Ferreira, nos locais onde as taxas de desemprego são maiores,
os problemas sociais também aumentam, trazendo graves consequências
para a sociedade como a violência, a criminalidade, entre outros.
"Os índices de violência, crescentes no país,
são ligados diretamente ao aumento da taxa de desemprego",
garantiu.
Na visão do professor, a questão da falta de emprego afeta
o país de uma forma muito séria, e em especial o trabalhador,
ocasionando o desajuste na vida dele enquanto núcleo familiar
e cidadão. Mas boa parte da massa desempregada está buscando
alternativa na economia informal, como os sacoleiros que vendem roupas
ou os camelôs. "É cada vez maior o número de
trabalhadores informais na economia brasileira.
Ter uma parcela da mão-de-obra desempregada, significa do ponto
de vista estrutural, ter o preço do trabalho remunerado em um
valor menor", admitiu Ferreira. Segundo ele se observarmos as pesquisas
sobre o desemprego, perceberemos que as taxas são altas para
a quantidade da população economicamente ativa e em condição
de trabalhar.
Abalo Psicológico 
Quando se fala na questão relacionada ao desemprego dificilmente
a vida do trabalhador e as consequências para o desempregado são
levadas em consideração. Para a psicóloga e professora
da Universidade de Uberaba, Luciana Nogueira Fioroni, a primeira coisa
que afeta no desempregado é a alto-estima, e em consequência
sua própria identidade. "Muitos desempregados ficam deprimidos,
se sentem desvalorizados. Prejudica o sono, a alimentação,
a pessoa se sente dispersa e tem ansiedade", destacou a psicóloga.
De
acordo com Fioroni, a pessoa sem trabalho pensa que é inútil
e acaba interpretando a situação de desemprego somente
como algo particular, não conseguindo ter uma dimensão
de que o problema trata-se de uma questão social que atinge milhares
pessoas no país.
De acordo com a professora, muitos estudos indicam que o trabalho é
um indicador de sobrevivência, de manutenção da
própria saúde mental daqueles que vivem no sistema capitalista.
A psicóloga destacou que uma maneira para reverter a situação
de desequilíbrio vivida, é procurar ajuda e realizar um
trabalho terapêutico, com a finalidade de fazer com que as próprias
pessoas construam instrumentos para enfrentar a situação.
Muitas vezes mesmo dando emprego a elas não se resolverá
o problema. Para a psicóloga, de muitos pacientes que procuram
atendimento psicológico, percebe-se que a angústia maior
não é com a saúde, e sim com o desemprego. "Em
muitos dos nossos serviços lidamos com essa situação",
concluiu.