Segurança e diversão

Um fator que diferencia as casas de encontro dos demais pontos de prostituição é a segurança. Túlio, cuja identidade completa ele preferiu não revelar, trabalha em uma destas casas. O segredo da sua função é conhecer bem o o cliente. Para evitar confusões, ele faz uma pré-seleção na entrada. Há 10 anos neste serviço, ele afirma que durante a Expozebu as casas passam a cobrar uma entrada, caso contrário, ficam lotadas de homens apenas entrando e saindo.

Quem toma conta do estabelecimento em que Túlio trabalha é dona Rosa, que há sete anos está no ramo. Antes era funcionária pública e cursou até o segundo ano de Administração. "Aqui ganho meu dinheiro com o aluguel dos quartos e a venda das bebidas", disse ela. Cada cerveja custa R$ 3,00 e as doses R$ 5,00. Os clientes sempre reclamam do preços abusivos e ameaçam até chamar o Procom (Programa de Defesa do Consumidor), como fez o jovem Flávio, que é tratador de gado e garante que está no local apenas para conhecer. Mas ele deixa escapar que já esteve em outras casas. "Só faço isso porque a minha namorada ainda é virgem e eu respeito ela" desculpa-se. Ele confessa que depois que sai destas casas, bate um arrependimento por ter gastado tanto ali ou ficado com determinadas garotas.

Rosa trabalha somente à noite e mora com sua filha, de 17 anos, próxima ao local de trabalho. Com o dinheiro, financiou os estudos de sua filha, que vai prestar vestibular para fisioterapia. "É um trabalho como qualquer outro", defende. Neste trabalho, os clientes são diversos de tratadores de gado a fazendeiros. Ela ressalta que até padres ela já recebeu. Isso mesmo!!! Padres fazendo sexo. "Já confirmei que realmente era padre, pois presenciei uma missa celebrada por ele aqui na cidade", garante. Ela ainda diz que de vez em quando chega alguns sacerdotes de fora para rezarem no local e ficarem bebericando umas cervejinhas. "Teve um dia que já estava fechando, quando chegou uma turma só para rezar, fiquei com eles até de manhã", lembra. Rosa afirma que regularmente eles (os padres) estão na casa procurando "diversão".

Sua casa oferece quatro quartos que custam R$ 10,00 reais por hora e cinco meninas que lá residem. Segundo Rosa, na época da exposição o movimento cresce 25%. Para este ano, ela espera uma melhora no movimento, apesar da expressão desanimada. Ela fala que o resultado destes anos de trabalho "só me trouxeram rugas e muitas veias arrebentadas", diz humorada. "O dinheiro que ganho é suficiente para pagar apenas as contas e enfrentar um monte de preconceito nas ruas da cidade. Meu trabalho aqui é alugar os quartos e vender bebidas", esclarece.

Uma das moças que trabalha na casa de Rosa é de rara beleza, seu nome é Luanda. Seu traços mais parecem os de uma guerreira de ébano. Esta guerreira tem força no sangue. Ela cortava cana em Igarapava, para sustentar seus dois filhos pequenos. Há seis meses resolveu vir para Uberaba. "O trabalho na lavoura não estava dando para manter as crianças", diz. Nas noites em que faz muitos programas, entre 13 e 15, ela precisa se preparar para não ficar indisposta. Para isso, usa a pomada de xilocaina, que tem efeito anestésico. Ela afirma que além de ganhar dinheiro, consegue sentir prazer. "Tem muito homem carinhoso e educado"disse.

Luanda também revela que muitos clientes só querem conversar e alguns chegam a chorar quando estão con-tando sua vida. Ela atende homens de 28 a 55, mas há um cliente de 75 anos. Os mais velhos, segundo afirma, querem apenas fazer sexo oral. Ela também atente homens e mulheres deste que estejam pagando bem, mas nunca atendeu casais. Ela deixa claro que com essa vida pode dar aos filhos tudo que ela não teve. "Meus filhos estudam em escolas particulares e tudo que eles querem eu tento dar". Luanda esta juntando dinheiro para realizar o sonho de comprar uma moto.

Ela comenta algumas situações engraçadas. "Outro dia uma mulher veio buscar o marido dela aqui na porta e aí foi um escândalo", ri.

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