Tristemente inesquecível
Derrota na Copa de 50 ainda é
lembrada
Wagner Ghizzoni Júnior
6 período de jornalismo
O
dia era o 16 de julho. O local, o Maracanã, estádio construído
especialmente para a disputa da Copa do Mundo. A previsão, uma
festa para comemorar o primeiro título do Brasil em um Mundial.
A realidade, a maior tragédia já registrada na história
do futebol.
A derrota para o Uruguai na final da Copa de 50 está gravada
para sempre na memória dos brasileiros. Até quem não
era vivo na época sabe o que representou aquele jogo.
Por causa da Segunda Guerra Mundial, a Copa do Mundo deixou de ser disputada
entre 1938 e 1950. Em 1946, um ano depois de a Guerra acabar, a Fifa
decidiu realizar a próxima Copa no Brasil, escolhido por querer
sediar o evento e por não ter sofrido abalos com a Guerra.
Mais do que um campeonato de futebol, a Copa de 1950 foi um marco. O
mundo se recuperava do colapso da Guerra. As pessoas procuravam encontrar
um caminho após a destruição, e o futebol serviu
como prova de que as coisas poderiam voltar ao normal.
O Maracanã foi construído especialmente para a realização
da Copa. Na abertura, mais de 80 mil pessoas pagaram para ver o Brasil
golear o México por 4 a 0, com dois gols de Ademir Menezes, um
de Jair Rosa Pinto e outro de Baltazar.
Era o começo de uma campanha brilhante no Brasil. Até
chegar a Final, a Seleção ainda goleou a Suécia
por 7 a 1 e a Espanha por 6x1.
A última partida não foi exatamente uma final, já
que o regulamento previa um quadrangular decisivo. Mas, por coincidência,
Uruguai e Brasil se enfrentaram na última rodada, e só
os dois tinham condições de lutar pelo título.
O Brasil jogava pelo empate.
Nos dias que antecederam o jogo, já se festejava a conquista.
Os próprios jogadores se deixaram levar pelo clima de "já
ganhou" de dirigentes e torcedores. Um jornal carioca chegou a
publicar, na véspera do jogo, a manchete "Estes são
os campeões do Mundo', com a foto do escrete brasileiro.
Melhor para o Uruguai. O capitão Obdulio Varela comprou vários
exemplares deste jornal e forrou o vestiário do time. Incentivou
os jogadores a não aceitarem serem meros coadjuvantes.
Mais de 170 mil pessoas presenciaram o jogo no Maracanã (fontes
não oficiais afirmam ter sido mais de 200 mil). Em campo, o Brasil
saiu na frente, gol do são-paulino Friaça no comecinho
do segundo tempo. Calmamente, Varela pegou a bola no fundo das redes
e caminhou lentamente até o meio campo, incentivando os companheiros,
enquanto a arquibancada comemorava.
Aos 21 minutos, Schiafino empatou. O resultado ainda dava o título
ao Brasil, mas o Maracanã se calou. Faltando dez minutos para
o jogo acabar, Gighia recebeu uma bola nas costas de Bigode e, da entrada
da área, ameaçou cruzar. Mas chutou direto, entre a trave
e o goleiro Barbosa, que teria falhado e por isso foi eternamente crucificado.
Ao fim do jogo, os jogadores brasileiros se dirigiram chorando aos vesiários.
Os torcedores continuaram sentados, sem saber o que fazer. Jules Rimet
entregou a taça que leva seu nome ao capitão Varela, deu
um aperto de mão e um "Parabéns"sem graça
e saiu. Os uruguaios nem deram a volta olímpica. Se abraçaram
e saíram. Não havia menor clima para festa. O Maracanã
parecia um velório gigante.
A ficha da
Final
Brasil 1
Barbosa; Augusto, Juvenal, Bauer, Danilo; Bigode, Friaça, Ademir
de Menezes, Zizinho; Jair e Chico.
Técnico: Flávio Costa
Uruguai 2
Máspoli; González, Tejera, Gambetta; Obdulio Varela, Andrade,
Ghiggia, Pérez; Míguez e Schiaffino.
Técnico: Ivan Lopez
Data: 16/7/50
Local: estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro
Árbitro: George Reader (ING)
Auxiliares: Arthur Ellis (ING) e Gumar Ahler (SUE)
Público: 173.850 pagantes
Gols: Friaça aos 2, Schiaffino aos 21 e Ghiggia aos 34minutos
do segundo tempo
Leia
também:
O
nome da Copa
Curiosidades do Mundial 50
Outras tragédias brasileiras em Mundiais