Seleção brasileira chega à Copa do Mundo de 2002 desacreditada

Sem entrosamento, Felipão dep
osita esperanças nos atacantes


Fernando Natálio Araújo Sousa
7 período de Jornalismo


A seleção brasileira nunca chegou à uma Copa do Mundo numa situação tão desconfortável como agora. Após uma classificação sofrida, conseguida apenas na última rodada das Eliminatórias Sul-Americana, contra a frágil Venezuela, o Brasil não possui o principal ingrediente necessário para alcançar o título: o entrosamento.

Em muitos momentos a seleção canarinho esteve desacreditada pela sua própria torcida. Perdeu jogos que em outros tempos ganhava com facilidade, como contra o Paraguai, o Equador e o Uruguai. Passou por uma de suas maiores crises da história, com várias mudanças de técnicos, diversos jogadores sendo convocados para serem testados e paralelo a tudo isto, via a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), associação que comanda o futebol brasileiro e de quebra a prórpia seleção, sendo investigada pelos deputados federais e pelos senadores em duas CPIs, a do futebol e a da Nike.

Em alguns momentos das eliminatórias, o Brasil chegou a ficar fora do grupo das quatro equipes que se clasificariam automaticamente. Com isso, a crise só se agravava. Quando começou a jogar esta competição, o técnico brasileiro era Vanderlei Luxemburgo, que havia assumido no lugar de Zagallo, em agosto de 98, logo após a Copa do Mundo de 1998, quando o Brasil perdeu a final para a França por 3x0, deixando o penta escapar. Vanderlei era o treinador de maior prestígio no país na época e chegou ao comando técnico com unanimidade nacional, com índices incríveis de até 90% de aprovação na escolha.

Mas, Luxemburgo, aos poucos, foi mostrando suas deficiências e não conseguia montar uma equipe forte e competitiva, capaz de ganhar os grandes desafios. Até chegar na Olimpíada de 2000, que aconteceu na Austrália, quando a seleção brasileira perdeu de Camarões e foi eliminada precocemente. Esta derrota foi a gota d´água, que provocou a queda do técnico. Ele estava envolvido em escândalos que afetavam sua vida pessoal, principalmente problemas que abordavam suas declarações de imposto de renda, nas quais era acusado de não ter declarado corretamente todos seus bens. Dirigiu a equipe olímpica do Brasil, sem condições psicológicas para fazer um bom trabalho e assumiu um risco muito grande ao não levar Romário para a disputa olímpica. Perdeu e foi responsabilizado por não ter convocado a maior estrela brasileira daquele momento. Acabou pagando pelo pecado, sendo demitido ao chegar no Brasil.

Em seu lugar, assumiu o auxiliar técnico, Candinho, que dirigiu o Brasil em apenas um jogo, contra a Venezuela, ganhando de 6x0. Candinho trouxe de volta à seleção o atacante Romário, do Vasco da Gama, que fez uma partida brilhante e comandou o Brasil na vitória. Candinho chegou a ser convidado a continuar no comando técnico da seleção pelo menos por algum tempo, mas não quis e saiu num gesto de lealdade ao seu amigo Vanderlei Luxemburgo. Conseguiu uma marca histórica, se tornando um técnico invicto, já que dirigiu o time apenas uma vez, conquistando a vitória na única partida que esteve à frente da seleção.

Em seu lugar, entrou Émerson Leão, após a recusa dos treinadores Carlos Alberto Parreira, que estava no comando em 94, quando o Brasil foi tetracampeão, e Oswaldo de Oliveira. Leão ainda viu Levir Culpi quase assumir a equipe, mas ter sido desprezado após dizer que o tempo de Romário na seleção tinha passado e por isso não pretendia convocá-lo. Naquele momento, Romário tinha grande poder de influência na seleção e principalmente junto à Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Além disso, o coordenador técnico era Antônio Lopes, que assumiu o cargo após a era Luxemburgo. Antônio Lopes havia sido treinador de Romário e queria vê-lo na seleção. Leão deu crédito para Romário e liberdade para o atacante vascaíno poder fazer aquilo que melhor sabe: os gols.

Com isso, Leão teve tranquilidade para poder trabalhar. Mas os resultados não vieram e na Copa das Confederações, os vexames foram muitos, provocando a queda de Leão. Nesta competição, o Brasil empatou com o Canadá, seleção sem nenhuma tradição no futebol, perdeu para a França nas semifinais, ficando fora da final, provocando a volta das lembranças tristes da Copa de 98, quando o Brasil perdeu da mesma na partida decisiva e teve outro resultado adverso na disputa do terceiro lugar, desta vez contra a Austrália, outra seleção sem força no futebol mundial.

Com isso, Leão foi mais uma vítima dos maus resultados da equipe canarinho e acabou sendo demitido ainda no Japão, no aeroporto, pelo coordenador Antônio Lopes, em mais uma prova do desrespeito e do despreparo dos dirigentes, que podiam ao menos terem esperado a volta ao Brasil para comunicar a saída do técnico. Pelo menos esta foi a opinião de duas das estrelas da equipe brasileira, Vampeta e Romário, que criticaram duramente a decisão da CBF.

Era Felipão
Em seu lugar, assumiu o gaúcho Luis Felipe Scolari, com grande apoio popular e esperado como o salvador da pátria, principalmente devido às conquistas recentes que ele havia conseguido, principalmente da Taça Libertadores da América, que ganhou duas vezes: uma pelo Grêmio e outra pelo Palmeiras. Felipão, como é conhecido, estreou com derrota contra o Uruguai. Nesta partida, Romário foi convocado e ganhou a faixa de capitão. Mas supostos atos de indisciplina durante os dias em que esteve junto com o grupo para jogar contra a seleção celeste, teriam provocado o desapontamento de Felipão em relação à Romário, o que mais tarde lhe tiraria em definitivo da seleção brasileira e provocaria a sua ausência da convocação para a Copa do Mundo de 2002.

Os motivos da decepção de Felipão com Romário teriam sido a saída dele da concentração brasileira no Uruguai com uma aeromoça que ele havia conhecido durante o vôo da delegação brasileira para o Uruguai. Em consequência, teria havido uma discussão entre Romário e o auxiliar técnico, Flávio Murtosa e com o treinador Luis Felipe também. Juntava-se a isso as críticas que Romário fez pela forma como Leão foi demitido, declarações estas que Felipão teria entendido como ofensivas a ele e a atuação de Romário no jogo, que para o treinador não teria se esforçado como deveria.

Além disso tudo, na convocação para a Copa América, Felipão queria Romário como um líder na equipe, mas o baixinho disse que precisava operar o olho e por isso não poderia jogar. Mas, dias depois estava atuando pelo Vasco da Gama em excursão no México, o que irritou mais ainda o treinador gaúcho. E, por fim, a declaração de Romário ao jornal esportivo Lance, de que a convocação sofria influências dos empresários, provocou o rompimento definitivo entre os dois, tirando Romário da seleção. Mesmo ele tendo conversado pessoalmente com Ricardo Teixeira em um clube de golfe do Rio de Janeiro, em um flagrante que o Jornal Nacional mostrou e tendo convocado uma entrevista coletiva, na qual pediu desculpas e até chorou, ele não foi incluído na convocação dos 23 jogadores que irão à Copa no Japão e na Coréia do Sul.

Luis Felipe Scolari conseguiu levar o Brasil à classificação na última partida contra a Venezuela, na qual o Brasil venceu por 3x0, com dois gols do atacante Luizão, herói da classificação e um de Rivaldo, uma das maiores estrelas brasileiras. Nesta partida, a dupla de ataque formada por Edílson e Luizão funcionou muito bem. Aproveitando-se do entrosamento dos dois que já jogaram juntos no Guarani, Palmeiras e no Corinthians, onde fizeram grande sucesso, conquistando vários títulos, os dois tiveram uma atuação muito elogiada pala mídia e pelos especialistas esportivos. Luizão principalmente por causa dos gols e Edílson pelos passes que deu, iniciando inclusive jogadas que terminaram com gols brasileiros.

Agora, chegando o dia da estréia brasileira na Copa do Mundo de 2002, que vai ocorrer no dia 03 de junho, contra a Turquia e tendo tido o menor tempo da história das copas para treinar, Felipão, começa a formar a sua equipe titular que vai jogar na Coréia do Sul, onde o Brasil joga a primeira fase. O time titular deve ser formado por jogadores de sua confiança e que vão jogar num esquema tático muito utilizado na Europa, mas que aqui ainda não é comum e não era adotado na seleção brasileira, o 3-5-2. Neste esquema, feito para se jogar de uma forma mais ofensiva, a equipe atua com 3 zagueiros, 5 jogadores no meio de campo, passando a ter alas que vão ao ataque constantemente, ao invés de laterais marcadores e 2 jogadores no ataque. Mas, Felipão usa este esquema de uma forma mais defensiva, o que provoca muitas críticas da torcida brasileira.

Escalação

O time titular deve ser formado pelo goleiro Marcos, os zagueiros nderson Polga, Roque Júnior e Lúcio. No meio de campo, os alas Cafu pela direita e Roberto Carlos pela esquerda. Os volantes Émerson e Gilberto Silva e o meia de armação que vai fazer a ligação ao ataque, Ronaldinho Gaúcho. No ataque devem jogar Ronaldo e Rivaldo. E é exatamente neste trio ofensivo que Felipão e a torcida brasileira deposita suas esperanças. Os três formam um poderoso ataque, difícil de ser marcado e que intimida os adversários, mesmo os mais experientes, já que são estrelas em seus clubes da Europa e brilham nos maiores e mais competitivos campeonatos do mundo. O povo queria Romário. As pesquisas que os jornais e os programas esportivos de televisão faziam indicavam que a grande maioria da população brasileira queria ver o baixinho na Copa, mas Felipão preferiu assumir a responsabilidade sozinho caso algum fracasso venha a ocorrer.

Agora, o Brasil depende excessivamente dos três erres (3R), Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. O primeiro é o fenômeno e esteve afastado dos gramados por longo tempo devido às contusões que vem sofrendo desde a partida final da última Copa da França em 98, quando na véspera do jogo teve uma crise nervosa e quase ficou impedido de disputar. Entrou em campo, mas teve atuação apática, não ajudando o Brasil a conquistar o penta. Agora é que está voltando a jogar. Ninguém sabe se irá atuar bem e nem se terá condições físicas para aguentar jogar as partidas inteiras. Rivaldo vem tendo problemas com seu joelho e pode nem jogar as primeiras partidas da seleção brasileira. E Ronaldinho Gaúcho brilhou no Paris Saint Germain da França, no último Campeonato Francês e muitos o apontam como um dos favoritos para ser a grande estrela desta Copa. É esperar para ver e se preparar para ficar acordado nas madrugadas e manhãs, torcendo pelo penta.

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