Brasil
mostra cultura
O talentoso
músico de Uberaba, Ezequiel Piaz, em encontro com o público
realizado no dia 10 de novembro, na Igreja Santa Rita, mostrou para
os que estavam presentes um pouco de sua habilidade e domínio
no campo artístico. Ao mesmo tempo em que vemos poucos músicos
sendo reconhecidos no exterior, assistimos a grande aparição
de artistas lançados pelas indústrias fonográficas
e pela mídia em geral. Na sua grande maioria, são aparições
momentâneas, sem maiores consolidações.
O músico Piaz considera esse fato uma consequência da colonização
e da massificação cultural. "Hoje estamos vivendo
uma ditadura cultural. A música instrumental não tem espaço
na grande mídia", critica. Para Ezequiel, a própria
política cultural, os grandes empresários musicais e as
indústrias fonográficas estão ditando o que é
a música hoje em dia. "Muitas vezes, abafando talentos próprios
em conseqüência dos produtos importados", revela.
Segundo ele, as pessoas não tem acesso a esse tipo de cultura.
"Podemos comparar a música com o próprio folclore
brasileiro, que hoje não tem seu reconhecimento como fator socio-cultural".
Para ele, trabalhos de Wakiti, Hermeto Pascoal e Sivuca, entre outros,
estão passando por processos naturais de reconhecimento. Piaz
explica que grandes músicos são formados no Brasil, mas
acabam indo para o exterior: "O músico também precisa
sobreviver. No Brasil, chega um momento em que fica difícil realizar
um trabalho sério e acabamos encontrando um grande mercado de
trabalho e reconhecimento fora do país."
Piaz chama a atenção para as políticas culturais
desenvolvidas no Brasil: "A música não é uma
coisa isolada dentro do contexto social. Está inserida na composição,
tanto a situação política como econômica
de um país. Isso tudo se reflete na música", conclui.
Piaz diz que um país que não consegue resolver suas questões
básicas como saúde e principalmente educação,
não irá conseguir elevar o nível cultural. A solução
não está apenas em uma melhora da política cultural.
Apesar de existirem leis de incentivo à cultura, esta não
seria a única solução. Segundo Ezequiel, a flexibilidade
é o maior incentivo que as empresas têm para patrocinar
as atividades culturais, pois é a única coisa que pode
mudar os rumos da cultura no Brasil. "Somente com isso, a cultura
sairá do último plano", afirma.
Mas quem é reconhecido também sabe reconhecer. Segundo
Ezequiel, a cidade de Uberaba possui grandes músicos, mas ainda
precisa investir mais na área cultural. "Uberaba é
uma cidade musical. Fico torcendo para que estas pessoas obtenham apoio
para levar adiante seus projetos", conclui.