Brilhando
lá fora
O
músico Ezequial Piaz é reconhecido na Europa,
mas ressente a falta de apoio cultural no Brasil para divulgar seu trabalho
Leonardo
Boloni
6 período de Jornalismo
A Igreja Santa Rita transmitiu um som diferente, no último
dia 10 de novembro, despertando a atenção daqueles que
passavam pela praça do Mercado Municipal. Outro detalhe que chamou
a atenção foi que as pessoas não se encontravam
orando, nem admirando as imagens do Museu de Arte Sacra. O interesse
deles estava voltado para o músico Ezequiel Piaz e seu companheiro
inseparável, o violão.
Com muita simplicidade e profissionalismo, Piaz arrancou aplausos da
platéia, no concerto patrocinado pela Fundação
Cultural de Uberaba e pela Associação Profissional dos
Artistas (APA). Ele começou a carreira na cidade de Uberaba e
atua na Europa há cinco meses, levando propostas e inovações
sonoras. Durante este período, tocou com grandes compositores
e participou de alguns festivais. O resultado desta experiência
são dois CDs gravados. Durante essa visita ao Brasil, Piaz voltou
a Uberaba, onde foi criado, reviu velhos amigos e aproveitou para mostrar
seu recente trabalho. Saindo de Uberaba, Ezequiel irá fazer apresentações
no Brasil antes de embarcar de volta para a Europa. Em Dezembro, ele
estará no Rio de Janeiro, participando do Panorama Internacional
do Violão. Em Janeiro, estará dando aulas e concertos
na Oficina de Música de Curitiba e em fevereiro, dará
continuidade ao trabalho iniciado no exterior, direcionando suas atividades
para a Alemanha. A Trajetória de Ezequiel Piaz
Nascido no Rio Grande do Sul, Ezequiel Piaz veio para Uberaba ainda
pequeno. Aqui cresceu, fez amigos e começou a desenvolver a atividade
musical. "A música sempre esteve presente em minha casa",
diz. Seu pai era músico, assim como o avô e bisavô.
Aos cinco anos de idade, iniciou sua experimentação sonora.
Depois do contato primordial com a música em casa, começou
a estudar no Conservatório Estadual de Música Renato Frateschi,
onde estudou outros instrumentos, como bandolim, cavaquinho, violão,
piano e violino. Também estudou música na Universidade
Federal de Uberlândia. Ele observa que, para atingir o atual estágio,
teve que se dedicar bastante, além das dificuldades que passou
no começo da vida como músico. "Paralelamente aos
estudos, já estava trabalhando profissionalmente para garantir
minha sobrevivência", explica.
Em 1999, gravou seu primeiro disco, Violão Brasileiro, na cidade
de Curitiba, com produção independente. "Com este
trabalho, tive a oportunidade de ganhar o prêmio de melhor disco
do estado do Paraná", revela. A partir daí, recebeu
um convite para fazer alguns concertos na Europa. Com apoio do Ministério
da Cultura, foi para a Alemanha, Polônia e Dinamarca, onde ficou
por cinco meses.
Na Dinamarca, tocou no Copenhaggen Jazz Festival. Lá iniciou,
também, a gravação de seu segundo disco Brazil
Fusion Guitar, e conseguiu boas críticas das revistas especializadas
Violão Intercâmbio e a internacionalmente conhecida Guitar
Player onde foi tido como dono de "um estilo que funde o
experimentalismo de André Geraissati com o lirismo de Ulisses
Rocha e Raphael Rabelo". O seu segundo disco está sendo
produzido e logo será distribuído na Europa. Para o Brasil,
o músico ainda não tem previsões de lançamento.