"Tradição das Geraes" mostra danças típicas de Minas

Documentário foi exibido no estúdio de TV do curso de Comunicação Social

Fernando Natálio
Luciana Souza
7 período de Jornalismo


Na batida do pé e na palma da mão o catireiro canta os seus lamentos ao som da viola resgatando a tradição secular, que nasceu nas roças da região de Goias, Minas Gerais e interior de São Paulo. Em Uberaba, a catira surgiu no século XIX. Os catireiros mais antigos são de origem das roças e possuem um linguajar do sertanejo da região. A dança, que é comum entre os homens, conta, hoje, com a participação das mulheres dando um ar de igualdade e de democracia à esta arte.

Toda a trajetória da catira foi documentada em um vídeo produzido pelos alunos do sétimo período de jornalismo, dando início a uma série de vídeos-documentários denominado "Tradição das Geraes". O vídeo mostra a luta dos catireiros de Uberaba em preservar esta dança que está em extinção por falta de adéptos e principalmente de violeiro. O catireiro do grupo Geração por Geração, Paulo Cury, destaca que na catira não existe discriminação, qualquer um pode dançar desde que saiba a arte.

Por força das circuntâncias o grupo de Paulo Cury começou a introduzir a participação de mulheres na catira, que tradicionalmente era dançada por homens. "A situação que eu fiquei foi por que vieram mais mulheres que homens (filhos). Só tenho um filho, por isto danço com elas. Elas também têm mais responsabilidade que os homens", esclarece.

O aproveitamento das mulheres da família na dança transformou a filha de Paulo Cury, Fátima Cury, em professora de catira. Ela destaca que a dança catireira em Uberaba tem uma cadência mais lenta que as outras, sendo retratadas nas palmas e no toque da viola. Também explica que esta arte está cada dia mais defasada pela falta de incentivo e violeiros. "Pessoas que dançam até tem bastante, mas quase não encontra gente para tocar a viola, isto pode fazer a Catira perder sua força", explica. Paulo Cury já tem uma visão diferente, para ele a Catira está perdendo sua força por causa da falta de interesse dos jovens. "A juventude hoje só quer iê iê iê! Não quer saber de tradição. De dupla sertaneja a gente enche carretada; agora, de violeiro para catira, não", desabafa.

Outra atividade cultural que encontra mais adeptos e que foi documentada na Tradição das Geraes é a congada. De origem africana, ela chegou a Uberaba trazida pelos escravos, sendo oficialmente realizada em 1854 nas fazendas distantes do município. A congada consiste na coroação de um rei do Congo, que incentiva a dança e o canto em louvor e em homenagem ao santos de proteção e de libertação dos escravos.

O dia da abolição da escravatura, 13 de maio, tornou-se o marco para a realização da congada. Atual-mente, a festa reune vinte grupos de dança, ou ternos, como são chamados. Neste dia, a comunidade negra vai às ruas da cidade, levando seus ternos de vilão, afoxé, congo e moçambique, numa grande mobilização popular.

Além de suas manifestações no dia treze de maio, onde fazem homenagens à princesa Isabel que aboliu a escravatura em 1888, eles cultivam o respeito aos seus santos protetores, Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.

José Reinaldo Texeira é General do Terno Zumbi dos Palmares e destaca que as apresentações buscam também reforçar a tradição de suas origens e lutar contra o preconceito existente. "Todos nós temos que brigar, porque se não somos apagados e ficamos como o vento que não se define a cor e nem seu rumo. Preconceito existe, mas se uma pessoa joga uma pedra tem que se certificar que seu telhado é de aço, porque se for de vidro vai quebrar", aponta.

Assim as duas festas buscam o aperfeiçoamento e manter a tradição que é passada de pai para filho, mantendo estas artes vivas e fazendo a diferença na história cultural de Uberaba.

O vídeo com o documentário destas duas manifestações culturais, catira e congada, foi exibido às pessoas que militam nesses movimentos. A platéia ao se ver como protagonistas de uma história real não escondeu a emoção e a satisfação de ver a iniciativa dos estudantes em preservar a cultura.

A orientadora do vídeo, professora Simone Bortoliero disse que uma das coisas mais importantes desta empreitada, é o contato dos alunos com a comunidade, mostrando o trabalho que nela é feito e expondo posteriormente o resultado do trabalho, para que os integrantes da comunidade possam avaliar e acompanhar como ficou. O cati-reiro Paulo Cury lembrou que a pro-gramação da televisão em geral não destaca muito essas danças, festas e músicas regio-nais, e que vídeos como este da Tradição das Geraes propor-cionam estas chances tão reivindicadas pelos apaixonados destas culturas", esclarece.

Segundo o integrante da congada, José Reinaldo Teixeira, general do Terno Zumbi dos Palmares, o resultado final do trabalho ficou muito bom, pelo fato de ter exposto e destacado uma cultura que não recebe a atenção que realmente merece. "Nem sempre temos o espaço necessário para mostrarmos nossa festa", comentou.

"É muito bom ser respeitado e valorizado; ter o trabalho da gente mostrado num vídeo como esse é importante e nos deixa feliz", observou.

Para o catireiro Paulo José Cury essas tradições são muito importantes e têm que ser preservadas. Ele lembrou do catireiro Manuel Rodrigues da Cunha, como uma das suas fontes de inspiração e fez questão de destacar a sua qualidade, como um dos maiores nomes da dança.


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