Desemboque sofre com o abandono das autoridades

Comunidade sequer conta com serviços essenciais, como saúde, educação e saneamento


Wesley Jacinto
6 período de Jornalismo


Alunos do 1 ano do curso de História, da Universidade de Uberaba, deixaram a sala-de-aula, no último dia 27 de outubro, para conhecer o povoado de Desemboque. A comunidade, localizada a 139 quilômetros de Uberaba, é distrito da cidade de Sacramento, de onde está distante 61 quilômetros. No local, habitam aproximadamente 80 pessoas. Muitas delas ainda garipam na região, uma das que mais extraiu ouro no final do século XVIII e início do século XIX, ao lado das cidades de Vila Rica, Sabará e Mariana.
Hoje, a economia do povoado gira em torno do turismo e da agricultura de subsistência. Mas, parte dos moradores alimenta o sonho de encontrar ouro. Por isso, chegam a mergulhar no rio das Velhas. A historiadora Eliane Mendonça Marquez de Rezende, que participou da excursão ao Desemboque, observa que não existem muitos estudos sobre a era do ouro no local, apesar de várias pessoas, como Jorge Nabut e Renato Carvalho, terem se dedicado aos estudos da região, no período em que havia maior concentração de habitantes no local.
A professora Elaine Mendonça destaca que os moradores tinham vida ativa. O povoado teve mais de quinze vigários, o que caracteriza sua importância histórica. Uma das personalidades que viveu no Desemboque foi Hermógenes Cassimiro de Araújo, que atraiu muitas famílias. Ela comenta que o ouro foi tão importante para o povoado que na época da Revolução do Porto, o cónego Hermógenes foi o único convidado a participar da Corte Portuguesa, no ano de 1820.
Durante a visita ao Desemboque, Eliane e os alunos verificaram a existência de vários problemas, como o abandono das edificações históricas, o fechamento da escola que funcionava somente no período noturno, o posto médico que atendia somente uma vez por semana juntamente com o atendimento odontológico. Também, as igrejas estão em mau estado de conservação. A professora salientou que a infra-estrutura do local permanece como era antigamente. Existe apenas a energia, mas ainda falta urbanização para dar melhores condições de vida às pessoas que habitam o povoado.
A aluna do curso de história, Cristiane Ferreira de Moura, afirma que gostou do passeio por causa da simplicidade e da receptividade dos moradores. Segundo ela, a oportunidade de conhecer o lugar contribui para sua formação enquanto estudante, pois teve a oportunidade de conhecer as raízes da região. O Desemboque é considerado o berço do surgimento das cidades do Triângulo Mineiro. Cristiane ressalta que faltam investimentos na área do turismo, para que a comunidade possa atrair mais visitantes.
A estudante Cristiane lembra que o Desemboque tem duas igrejas do tempo colonial, sendo uma dos brancos e a outra dos negros. Elas tiveram os sinos e as imagens saqueadas. "O estado de conservação é ruim, mas ainda há muito do estilo colonial. Inclusive, existem ainda alguns santos da época, confessionários e o cemitério ao redor da igreja, onde se encontram sepulturas do ano de 1800", revela. Cristiane diz que, durante a visita, os alunos foram até Sacramento e conheceram a gruta dos Palhares.
A professora Eliane Mendonça explica que o objetivo da viagem ao Desemboque foi dinamizar as atividades acadêmicas, possibilitando a realização de uma atividade prazerosa entre professores e alunos. Ao mesmo tempo, propicia o desenvolvimento de atividades investigativas, problematizando suas fontes, revisitando vestígios do passado e aproximando as áreas do conhecimento, através da interdisciplinaridade. Essa é uma das "ferramentas" para a compreensão do real. "O que nos levou a visitar o local foi a proposta do curso de História, que é vivenciar a realidade com o aluno, investigar esta realidade e obter soluções. O Desemboque é a região mais próxima onde foi explorado ouro. Assim, aproveitamos que os alunos estão estudando sobre o século do ouro no Brasil".

 

Testemunhas de Clio


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