Pixinguinha, no coração do choro e do povo
Antônio
Marcos Ferreira Filho
Considerado um dos maiores gênios da música popular brasileira
e mundial, Pixinguinha (23/4/1898-17/2/1973)
revolucionou
a maneira de se fazer música no Brasil sob vários aspectos.
Como compositor, arranjador e instrumentista, sua atuação
foi decisiva nos rumos que a música brasileira tomou. O apelido
"Pizindim" vem da infância, era como a avó africana
o chamava, querendo dizer "menino bom".
O pai era flautista amador, e foi pela flauta que Pixinguinha começou
sua ligação mais séria com a música, depois
de ter aprendido um pouco de cavaquinho. Logo começou a tocar
em orquestras, choperias, peças musicais e a participar de gravações
ao lado dos irmãos Henrique e Otávio (China), que tocavam
violão. Rapidamente criou fama como flautista graças aos
improvisos e floreados que tirava do instrumento, que causavam grande
impressão no público quando aliados à sua pouca
idade.
Começou a compor os primeiro choros, polcas e valsas ainda na
década de 10, formando seu próprio conjunto, o Grupo do
Pixinguinha, que mais tarde se tornou o prestigiado Os Oito Batutas.
Com os Batutas fez uma célebre excursão pela Europa no
início dos anos 20, com o propósito de divulgar a música
brasileira.Os conjuntos liderados por Pixinguinha tiveram grande importância
na história da indústria fonográfica brasileira.
A Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, que organizou em 1928 junto
com o compositor e sambista Donga, participou de várias gravações
para a Parlophon, numa época em que o sistema elétrico
de gravação era uma grande novidade. Liderou também
os Diabos do Céu, a Guarda Velha e a Orquestra Columbia de Pixinguinha.
Nos anos 30 e 40 gravou como flautista e saxofonista (em dueto com o
flautista Benedito Lacerda) diversas peças que se tornaram a
base do repertório de choro, para solista e acompanhamento. Algumas
delas são "Segura Ele", "Ainda Me Recordo",
"1 x 0", "Proezas de Solon", "Naquele Tempo",
"Abraçando Jacaré", "Os Oito Batutas",
"As Proezas do Nolasco", "Sofres Porque Queres",
gravadas mais tarde por intérpretes de vários instrumentos.
Em 1940, indicado por Villa-Lobos, foi o responsável pela seleção
dos músicos populares que participaram da célebre gravação
para o maestro Leopold Stokowski, que divulgou a música brasileira
nos Estados Unidos.
Como arranjador, atividade que começou a exercer na orquestra
da gravadora Victor em 1929, incorporou elementos brasileiros a um meio
bastante influenciado por técnicas estrangeiras, mudando a maneira
de se fazer orquestração e arranjo.
Pixinguinha trocou de instrumento definitivamente pelo saxofone em 1946,
o que, segundo alguns biógrafos, aconteceu porque teria perdido
a embocadura para a flauta devido a problemas com bebida. Mesmo assim
não parou de compor nem mesmo quando teve o primeiro enfarte,
em 1964, que o obrigou a permanecer 20 dias no hospital. Daí
surgiram músicas com títulos "de ocasião",
como "Fala Baixinho" Mais Quinze Dias", "No Elevador",
"Mais Três Dias", "Vou pra Casa".
Depois de sua morte, em 1973, uma série de homenagens em discos
e shows foi produzida. A Prefeitura do Rio de Janeiro produziu também
grandes eventos em 1988 e 1998, quando completaria 90 e 100 anos.
Algumas músicas de Pixinguinha ganharam letra antes ou depois
de sua morte, sendo a mais famosa "Carinhoso", composta em
1917, gravada pela primeira vez em 1928, de forma instrumental, e cuja
letra João de Barro escreveu em 1937, para gravação
de Orlando Silva. Outras que ganharam letras foram "Rosa"
(Otávio de Souza), "Lamento" (Vinicius de Moraes) e
"Isso É Que É Viver" (Hermínio Bello
de Carvalho).
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