Discriminação perpétua

"O preconceito é um relativismo
individual que resulta em conseqüências graves. As pessoas
por acharem que são melhores começam a desmerecer as outras"
Luciana Souza
7 período de jornalismo
É comum ouvir dizer que no Brasil já não existe
mais racismo, preconceito ou discriminação. Ao mesmo tempo
é impossível negar o alargamento das diferenças
sociais e econômicas sofridas pela sociedade no decorrer dos séculos.
Para entender estas diferenças é necessário voltar
ao período de colonização do País, para
perceber também, que há, através da história
a perpetuação da discriminação.
De acordo com a socióloga, Maria das Dores Silva, professora
da Universidade de Uberaba, a sociedade contribui para que o preconceito
seja voltado para os negros. Durante a colonização do
Brasil, as terras foram tiradas do poder dos índios, que se viram
obrigados a trabalhar. Como não se adaptaram bem, por recusarem
a escravidão, foram substituídos pelos escravos africanos.
Os negros foram arrancados de sua pátria e trazidos para as Américas
- um continente desconhecido, onde não lhes ofereceram nenhuma
vantagem.
Mesmo depois da abolição, no dia 13 de maio de 1888, os
negros não se libertaram. Data daí, de acordo com a socióloga
o período da intensificação do preconceito."O
conflito pessoal começa quando a raça branca faz algum
tipo de comentário sobre o passado dos índios ou negros,
por causa da escravidão", aponta Maria das Dores.
É necessário também, na visão de Maria das
Dores, recorrer a Biologia para que o racismo não seja analisado
somente no campo ideológico. "Existe uma parte da ciência,
também chamada de Racismo, que estuda a mensuração
das espécies humanas. São comparados ossos de homens negros
com os de brancos, amarelos e vermelhos, para indicar quais são
as diferenças entre cada raça", explica.
É exatamente essa mistura de raças que pode causar mudanças
na sociedade. O Racismo ou Etnocentrismo, é a característica
de um grupo racial que cria conflitos, tentando mostrar-se melhor que
os outros. A Sociologia classifica o racismo como uma discriminação
ideológica, na qual um grupo considera ter mais qualidades que
o outro. "O preconceito é um relativismo individual que
resulta em conseqüências graves. As pessoas por acharem que
são melhores começam a desmerecer as outras", esclarece.
Para
a Psicólogia, o racismo pode gerar certos tipos de patologias
nas pessoas discriminadas. A psicóloga Osimar Beatriz Tura, cuja
experiência somam-se nove anos de atendimento clínico na
cidade de Conquista/MG explicou que as pessoas, quando discriminadas,
sofrem um certo isolamento podendo ter como consequência a violência.
"Quando alguém está sendo inferiorizado, seja por
causa de sua cor ou por sua crença, passa a desenvolver problemas
psicológicos. Com isso fica doente ou até mesmo desenvolve
um sentimento de raiva, tornando-se violento", exemplifica.
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