Uma
vida por outra
Associação de voluntários de combate ao câncer
desenvolvem trabalho comunitário
Juliana Santana
7 periodo de jornalismo
Fundada em 9 de dezembro de 1998, a Associação de Voluntário
de Combate ao Câncer de Uberaba vem desenvolvendo um trabalho
em prol da comunidade. É uma entidade filantrópica sem
fins lucrativos que se desdobra para ajudar portadores do câncer.
Instalada no centro da cidade a associação conta atualmente
com 250 voluntários que oferecem assistência psicológica
e emocional a mais de 850 pacientes. Eles são recepcionados e
acolhidos de forma calorosa pelos voluntários, que além
de observar, encaminham estas pessoas para tratamento, fazem distribuição
gratuita de medicamentos, materiais hospitalares, cestas básicas
e kits de higiene pessoal.
Dentro da casa que abriga a entida numa pequena sala funciona a recepção.
No painel em frente a mesa da secretaria estão afixados vários
cartazes, mas um, em especial chama a atenção: "
O voluntário, tem de fazer, seja o que for sorrindo. Nossa obrigação
no hospital é transmitir força otimismo e confiança
aos pacientes", frase de Carmem Prudente, organizadora do primeiro
movimento voluntariado do câncer no Brasil.
A coordenadora da associação, Wanda Lavinia Nepre Longas
explica que o foco de maior atuação da associação
está no Hospital Hélio Angotti. O objetivo é atuar
no combate ao câncer nas áreas de educação,
prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação
de pacientes em regime interno e externo.
A associação nasceu da idéia de reestruturação
do corpo de voluntários do hospital, formando assim uma equipe
com representantes na comunidade local.
Em dezembro de 1998 foi realizada a 1» Semana de Treinamento dos Voluntários,
que até hoje se realiza de seis em seis meses, a partir de uma
chamada nos meios de comunicação convidando a comunidade
a participar.
Wanda Lavinia explica que para o recrutamento se faz necessário
o convite ou a indicação espontânea. A partir daí
cada pessoa é cadastrada, passa por entrevista individual para
uma pré-seleção e avaliação do seu
perfil. No treinamento o candidato participa de palestras informativas
e educativas sobre o câncer e o funcionamento da instituição.
Trabalho voluntário
O
trabalho voluntário não gera vínculo empregatício.
"É um trabalho em grupo que usa linguagens que respeitam
e valorizam o trabalho dos outros", explicou Wanda. Segundo ela,
o voluntário deve ter disponibilidade e tempo para servir, se
doar espontaneamente sem esperar retorno, o ter responsabilidade com
o compromisso assumido, ser otimista na relação com pacientes
e familiares, e deve respeitar a crença do outro.
Para garantir resultados mais positivos o atendimento foi dividido em
níveis. Em primeiro lugar vem o Atendimento Ambulatorial, que
faz o acolhimento e apoio aos pacientes e familiares fornecendo lanches,
orientações e realização de exames dentro
do hospital. Após este primeiro momento vem o Atendimento nas
Enfermarias feito nos leitos e que apóia nas necessidades básicas
dos pacientes internados que não possuem condições
de alimentação. Este atendimento auxilia também
no apoio espiritual incentivando o paciente com conversas agradáveis
visando resgatar a auto-estima e a capacidade do paciente de se manter
ativo. E, finalmente Atendimento a Quimioterapia em que o voluntário
serve lanche ao paciente e o distrái com jogos para que mantenha
a mente ocupada. Outra forma de atendimento refere-se ao trabalho de
relações públicas feito junto a comunidade através
da realização de eventos e captação de recursos
financeiros.
Os recursos são revertidos para a manutenção da
associação e seus assistidos. Para captá-los são
promovidos bazares com produtos adquiridos por meio de doações
espontâneas da comunidade; através de leilões; promoção
de eventos sociais, como desfiles, jantares, chás beneficentes
etc. A associação realiza ainda uma campanha em supermercados,
pedindo ajuda aos clientes para doarem alimentos. Com este trabalho
são arrecadados em média 1,5 tonelada de alimentos garantindo
as cestas básicas e sobrando ainda para outras instituições,
como o Hospital Escola.
A coordenadora faz um apelo para a comunidade: " Se todas as pessoas
olhassem um pouco mais pra dentro de si veriam que temos muito pra doar
para o próximo que está carente emocionalmente".
A palavra de ordem para os voluntários é o equilíbrio.
O envolvimento emocional deve ser feito em pequenas doses segundo a
voluntária Anita Augusto dos Santos que exerce esta função
há mais de quatro anos. Segundo ela a necessidade de ser voluntária
vem da vontade de servir ao próximo. Ela ficou interessada nesta
atividade através de um anúncio feito em um grupo espírita.
Com alegria e segurança Anita garante que o primeiro gesto positivo
diante de um paciente é "desejar-lhe sorridentemente um
bom dia". Segundo ela o paciente tem que receber do voluntário
somente energias positivas, calor humano e compreensão.
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