Paz
no trânsito
Uma questão de cidadania

Em Uberaba, projetos são desenvolvidos durante todo o ano na
busca por um trânsito melhor
Wagner Ghizzoni Júnior
7 período de Jornalismo
Numa fábrica, para que tudo saia bem, cada peça de cada
máquina tem que funcionar direito. Se algo sai errado numa engrenagem,
todo o processo falha. No trânsito é parecido. Imagine
a quantidade de carros e pessoas que passam por dia, por exemplo, nos
cruzamentos da Praça Henrique Krugger, em Uberaba. Se houver
apenas uma falha, todo o trânsito das imediações
sofrerá alterações.
Visando buscar um trânsito cada vez melhor a Secretaria de Segurança,
Trânsito e Transportes, Sestran e o Comitê de Segurança
no Trânsito, ComSeTran desenvolvem juntos, diversos projetos.
Mas, para que haja paz no trânsito, cada pessoa deve fazer sua
parte.
Para Vanilda Guimarães Leite, chefe da Seção de
Educação no Trânsito da Sestran, as crianças
são a solução em busca da paz no trânsito.
"Eu parto do princípio de que ela deve aprender noções
de trânsito na escola, assim como estuda Português, Matemática...de
que adianta a criança aprender Geografia, História, se
ao chegar na esquina ela é atropelada porque não conhece
as normas do trânsito?", questiona.
De acordo com Vanilda, os moto-ristas adultos come-tem erros por que
não tiveram a edu-cação adequada. "É
uma questão que vai passando de geração para geração...tudo
começa quando o pai fala pro filho: Tira o carro da garagem
pra mim, lava o carro que você dá uma volta..., mesmo
sabendo que o filho não tem a idade e os conhecimentos adequados
para isso. E quando pedimos para o pedestre passar na faixa, ele responde:
Anota minha placa, me multa!, ou seja, foram realmente mal
instruídos. Nossa esperança é que, ensinando às
crianças hoje, amanhã elas serão motoristas e pedestres
conscientes," diz Vanilda, que continua: "A consciência
é o começo de tudo. O trânsito é uma miscelânea,
tem muitos seres convivendo ali, pessoas, carros, animais....a minha
liberdade termina onde começa a sua. Então, se cada um
fizesse sua parte tudo seria melhor. Trabalhamos com as crianças
para que elas aprendam a conviver no trânsito, saibam respeitar
as normas e possam ir e vir, na esperança de que haja paz no
trânsito num futuro, se Deus quiser, bem próximo",
comenta.
A coordenadora lembra que uma criança bem educada sobre o trânsito
não vai ajudar a melhorar só quando for motorista. "A
criança é um agente multiplicador. Ela aprende e vai ensinar
ao coleguinha, e vai também cobrar do pai. O pai pode não
respeitar o guarda, mas o filho ele respeita", conclui.
Na opinião de Carlos Finholdt Júnior, presidente do ComSeTran,
o Novo Código de Trânsito, instituído em 1998, trouxe
melhorias no trânsito em geral. "Infelizmente, o motorista
só respeita se for atingido na parte mais sensível, que
é o bolso. Com o Novo Código, tivemos uma redução
nos acidentes e acredito que seja porque as pessoas passaram a temer
as multas. O objetivo não é punir, mas educar. Acontece
que, infelizmente, as pessoas não tem consciência....se
verem um radar ali, diminuem, mas passou o radar, já estão
correndo de novo", observa.
Ele lembra que o trânsito é um processo nada simples. "Não
é só entrar no carro e sair. Você tem que pensar
na sua parte, nos outros motoristas, no pedestre, nas vias... como é
que você pode fazer uma coisa sem saber como funciona? Por isso
todos devem aprender as normas do Código. É uma questão
de consciência", diz Finholdt.
Para o presidente do ComSeTran o trânsito tem a ver com cidadania,
com ecologia. "Se eu colocar fogo no mato, tem a ver com ecologia,
certo? Mas aquela fumaça vai atrapalhar o trânsito, o motorista
entra ali sem saber a densidade, a extensão e é fácil
ocorrer um acidente", exemplifica.
Respeitar o trânsito é um dever de todos. "A pessoa
que respeita o trânsito é um cidadão em casa, no
trabalho, em todos os lugares...", opina Finholdt. Vanilda concorda:
"Um cidadão com todas as letras!"
Leia
também:
Projetos
buscam a paz