Projeto oferece qualidade de vida a terceira idade

Sonho ainda é distante para idosos sem recursos

Wagner Fonseca
6 período de Jornalismo

O filósofo Ovídio comparou tempos atrás a vida do ser humano às quatro estações do ano. Enquanto criança o homem lembra a primavera, quando a planta é nova e enche de esperança o agricultor. O campo fértil resplandece com o colorido das flores. Entra então a estação mais forte, o auge da mocidade, o fervor da vida: o verão. Depois vem o outono, triste, o meio-termo entre o jovem e o velho. Surge em seguida o inverno, quando os cabelos ou caíram como as folhas das árvores, ou, os que restaram, estão brancos como a neve dos caminhos. Tempo infeliz. O que era para ser já se foi.

A teoria do filósofo, com certeza, foi elogiada por muitos e até hoje há quem considere real as palavras do estudioso. Mas próximo à cidade de Uberaba, a teoria de Ovídio não traduz a realidade quando ele se refere ao outono e ao inverno, comparando-os com a fase de vida, denominada de terceira idade. Um projeto desenvolvido pela Fundação Peirópolis, pôs abaixo parte da teoria ovidiana. A Fundação é uma instituição monitorada pelo Ministério Público e reconhecida tanto no âmbito municipal, estadual e federal, como sendo de utilidade pública,

Em Peirópolis, há 15 quilômetros do centro de Uberaba, foi inaugurada no último dia 16, uma comunidade biossocial que vai oferecer às pessoas com mais de 55 anos a oportunidade de assegurar vida nova, depois de décadas de trabalho. Oportunidade de nova filosofia. O projeto ganhou o nome de Harambê (expressão africana que significa – vamos trabalhar juntos). A idéia partiu das páginas do livro – O que você vai fazer em dezembro? Dag Edições - do escritor e presidente da Fundação Peirópolis, Dirceu Borges. Para ele, a comunidade é um exemplo que deve ser seguido pelo governo federal. "Através dos recursos do INSS, pago mensalmente pelos contribuintes, o governo pode oferecer projetos de moradia e melhorar a qualidade de vida de quem tanto contribuiu com o país",comentou.

A proposta da Fundação é ativar a vida de homens e mulheres da terceira idade. O Harambê é uma comunidade alternativa para quem não vê no passar dos anos, motivo para a inércia física, cultural e psicológica. Muitos estudos apontam que a pessoa nesta fase da vida se sente inútil e sem nenhuma contribuição para a sociedade. O preconceito dos mais novos e os poucos projetos de apoio voltados para esse público, que corresponde a quase 18% da população nacional (Censo 2000. Pessoas com mais de 55 anos residente no país), são motivos que agravam o problema.

A pessoa que desejar viver no Harambê vai participar de atividades recreativas, esportivas e artísticas. Os trabalhos vão desde a extração de água mineral à produção de artesanatos. Os produtos vão ser comercializados em outras comunidades e, a renda é descontada na contribuição mensal paga pelos moradores.

A contribuição, cobre as despesas da manutenção do projeto, como alimentação, serviços de utilidade e o pagamento dos funcionários, uma espécie de condomínio. Para fazer parte da comunidade, o interessado precisa desembolsar cerca de R$ 45 mil. O valor é a quantia paga pelo direito de uso de uma residência . Por ser uma sociedade civil, todos os resultados financeiros serão revertidos na própria empresa. Para os idealizadores do projeto, o Harambê já é considerado o Eldorado para quem ultrapassou cinco décadas e meia de vida.

A fazenda ocupa um espaço de 70 hectares próximo ao maior sítio paleontológico da América Latina. A área, doada à Fundação, é cercada de bosques e represas para pescaria, e espaço disponível ao cultivo de frutas, hortaliças e produção de ervas medicinais. As moradias, chamadas de "pueblos" foram planejadas para atender às necessidades dos moradores. O projeto inclui também a construção de um mini-shopping, teatro de arena, fábrica de medicamentos, playground e um clube. Um espaço onde a vida recomeça aos 55 anos é, acima de tudo, um referencial para Uberaba nas questões sobre os projetos voltados à terceira idade.

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