Uma
viagem no tempo

Museu de História Natural mostra uma aventura que começa
na pré-história e só termina onde a imaginação
chegar
Júlio César Prado
3 período de Jornalismo
A história da humanidade é formada a partir de aspectos
sociais, econômicos, culturais e todo conjunto de relações
fixadas em cada um deles. Visitando um museu, encontramos nada mais
que isso: uma viagem em um mundo que, além de retratar tudo que
fomos, exerce uma atividade responsável pelo que somos e fazemos
em nossas vidas. O Museu de História Natural Wilson Estevanovic
surgiu de uma idéia da família há mais de noventa
anos. Na época, Wilson, idealizador do museu que leva seu nome,
colecionava as primeiras peças do acervo que compõem a
mostra permanente de hoje. As dificuldades eram muitas. Por falta de
um lugar fixo para expor os objetos, Wilson ia de cidade em cidade apresentando
o acervo aos curiosos nos lugares onde ele instalava a mostra itinerante.
Os anos passaram e hoje, os problemas ainda são grandes, mas
graças à luta da família, o museu conta com uma
sede própria.
Com o passar do tempo as peças também foram se diversificando
e multiplicando. São mais de dezoito mil exemplares divididos
em salas de biodiversidade, arqueologia, antropologia, minerais, astronomia
e história egípcia.
O setor de biodiversidade por exemplo oferece mais de duzenta espécies
de animais entre cobras, leões, jacarés, pássaros,
macacos, peixes e pinguins. Um aspecto do museu que merece destaque
é a técnica empregada por Wilson Estevanovic, neto do
Patrono do museu que leva seu nome, na conservação dos
animais. "Os bichos estão conservados com todos os órgãos
internos" comenta o pesquizador. Trata-se da Perpétua Anatomia,
técnica inventada e patenteada por Wilson há cinco anos,
que se difere do empalhamento convencional por conservar os animais
sem retirar nenhum órgão interno do bicho. Segundo Estevanovic,
o método é baseado na combinação de elementos
químicos que resultam em uma fórmula menos tóxica.
A taxidermia, técnica usada no empalhamento convencional, é
baseada em arsênico, elemento extremamente tóxico para
as pessoas. "Com essa técnica, os visitantes podem se dar
o luxo de tocar os animais sem o risco de intoxicação",
explica. Wilson conta ainda que esse não é o maior trunfo
da pesquisa.
A técnica possibilita a conservação dos animais,
que não perdem traços e fisionomia característicos.
O método possibilita estudos de espécies em extinção
que podem ser guardados com todos seus órgãos intactos.
"Esse é realmente um grande passo para as pesquisas, pois
podemos estudar espécies e tecidos no próprio organismo
dos animais" comenta. Mas a viagem no museu continua.
A história da humanidade não é escrita apenas em
livros. A todo tempo os homens se adaptam a realidades e moldam o ambiente
em que vivem. Na sala de valores humanos podemos descobrir um pouco
disso. São armas primitivas, utensílios usados pelos primeiros
habitantes do planeta, fósseis. O acervo oferece uma mostra da
evolução do homem e da cultura primitiva. A viagem, que
começa na pré história, atravessa os tempos e chega
às primeiras civilizações. Os Egípcios,
muito conhecidos pela arquitetura e as grandes contruções,
mostram um pouco de sua arte na sala de cultura egípcia. Reproduções
de sarcófagos, máscaras, objetos usados por Faraós
e um pouco da história dos primeiros grandes construtores da
humanidade.
"É um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco
para a humanidade."Quem não se lembra ou nuca leu ou ouviu
falar da frase de Neil Armstrong ao dar o primeiro passo na lua quando
desceu da Apollo 11 às dezesseis horas e dezessete minutos naquele
vinte de Abril de 1969? Armstrong tinha razão. Naquele momento
o homem firmava mais que uma visita no satélite natural da terra,
mas iniciava uma aventura que não tinha limites, um mergulho
rumo ao desconhecido.
Ao longo do tempo, o contato com o espaço foi se popularizando,
outras viagens foram feitas, o homem desafiou a imaginação
e as lentes dos telescópios nos garantiram aventuras por lugares
nunca sonhados. Era o início de uma nova era. O desejo de se
aventurar no espaço despertou a atenção da família
Estevanovic. Ver as estrelas nunca foi tão fácil e tão
popular. Na busca da popularização da astronomia, o grupo
passou a investir também no campo da astronomia e iniciaram os
projetos para construção de um observatório nas
dependências do museu (o primeiro do estado de Minas Gerais).
O museu já adquiriu cerca de dezoito telescópios e todo
maquinário para instalação do observatório,
mas por falta de apoio, as dificuldades são grandes.
A obra não tem fins lucrativos e, para se manter, conta com um
incentivo do município através da Fundação
Cultural de Uberaba e da ajuda de voluntários e associados. De
acordo com Welington Estevanovic os custos são muito altos e
a ajuda não cobre nem as despesas fixas do museu. A construção
do observatório já iniciou, mas enquanto os trabalhos
não são concluídos, o grupo leva os equipamentos
às ruas e escolas para mostrar a riqueza do espaço à
comunidade. Crianças, jovens e adultos que talvez nunca teriam
acesso a equipamentos como esses partem para uma aventura no espaço
sem sair do chão. As reações são tão
diversas como inesperadas. Sentir a emoção de ver a Lua
de perto atrai gente de todos os lugares. Sempre que são expostos,
os telescópios espalhados na rua reunem grupos de pessoas
o fato tem chamado a atenção de toda a cidade. Gente que
aproveita os pequenos momentos de contato com o espaço e se encanta
com suas maravilhas.
Em outras palavras, o Museu de História Natural se reune nisso:
passado, presente, futuro, um encontro de épocas. Momentos que
se foram, momentos que se vão, momentos que escrevemos e ainda
vamos escrever. Visitar o museu não é só ver de
perto algo do passado, mas uma oportunidade única de conhecermos
o que fomos, o que somos e iniciar uma viagem em busca do que seremos.
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