|
Se moro bem ou moro mal não
sei dizer...
Universitários
contam como é a vida fácil e a difícil convivência
nas repúblicas.
Simone Souza
6 período de jornalismo
"Alessandra morava
com Tati, que não lavava a louça e comia tudo que tinha
na geladeira. Flávio era gordinho e passava fome quando morava
com João, que era obcecado por malhação e dietas.
Já Janaína morava com Bibi, que dava em cima do Cris, namorado
da Janaína. Aí, Bibi se mudou e foi morar com Jú..."
Quem viveu em uma
república de estudantes na época da faculdade já
sabe: não é nada fácil! Você deixa sua casa,
as acomodações, horários e comidas a que está
acostumado
e enfrenta uma realidade nova e exótica: a de dividir tudo com
pessoas estranhas. Quem é cheio de manias e frescuras sofre como
Cristo na cruz.
Que o diga Alessandra Paiva, 24, recém formada em Administração.
Ela veio de Mariana, interior de Minas, deixando para trás o conforto
de uma família rica, e veja só, teve que começar
a trabalhar duro para manter a faculdade.
"Foi aí que descobri que eu era patricinha pra caramba! Eu
odiava ficar camelando pra lá e
pra cá, andando debaixo de sol quente, pegando ônibus cheio
às seis... Aí, chegava em casa e a Tati, que morava comigo,
não tinha lavado um copo! Tava a louça suja na pia e ela
já tinha comido tudo. Eu tinha que fazer comida de novo, mesmo
cansada. Eu chorava de raiva, porque pensava: _ Puxa, sou rica, não
preciso disso não..."
Para casos assim, a experiência toda pode até servir como
terapia. O estudante sempre acaba por alterar sua personalidade, no contato
com pessoas tão diferentes, que vêm de outra cultura, outra
vida, outra realidade social... A necessidade de aprender a conviver e
a dividir acaba impondo limites àqueles defeitos mais graves. Alessandra
acha que o sofrimento teve um resultado muito positivo.
"Hoje, sei me virar. Não fico pedindo nada a ninguém.
Vou lá e faço! Também não reclamo da vida
não, que tem gente muito pior...Cheguei a achar a Tati chata, mas
se não fosse por ela e pela vida na república, eu não
tinha virado gente que faz! É difícil, mas vale a pena".
|
|

Nas
repúblicas a comida é um problema.
Ciúmes
e brigas, seja pelo namorado ou pelas roupas.
|