Arte,
ativismo e espiritualidade unidos pelo
desejo de transformação
Diferentes
segmentos da sociedade mostraram como podem contribuir para a cultura
de fraternidade
André Azevedo
2 período de Jornalismo
A escola Balaio de Arte realizou, entre as atividades do projeto Museu
Dinâmico Contrução da Paz, um trabalho incentivando
"a arte como busca de uma paz interior". O escultor Hércules
Locci e o pintor Carlos Felipe ministraram oficinas de pintura com alunos
da escola e de desenho com crianças. "Usamos a metodologia
de desenhar com o lado direito do cérebro. O desenho é
feito de cabeça pra baixo, pois, com a imagem invertida, o aluno
fica mais atento à questão espacial, aos traços,
e não ao lado objetivo e figurativo do desenho", explicou
Elisa Carvalho, diretora da escola.
A professora Lília Almeida, do Balaio de Arte, realizou uma oficina
de bordado com vagonite uma técnica de bordar por cima
do tecido. "A professora convidou um grupo de surdo-mudos, e foi
ótimo! Ela conseguiu explicar o mecanismo da técnica através
de gestos, apesar de não ter formação especial
para trabalhar com portadores de deficiências auditivas",
disse Elisa.
A Escola de Arte Dr. Odilon Fernandes promoveu oficinas de pintura à
óleo e desenho artístico, de corte de cabelo, manicure,
bordado à mão, tear e brolha (trabalhos com cordão),
e outros cursos profissionalizantes. Dulce Fernandes, professora de
pintura à óleo e vice-diretora da escola, orientava estudantes
no projeto Arte pela Paz. Alunos de Educação artística
da Faculdade de Educação de Uberaba (FEU) também
exibiam trabalhos.
Adriana Amélia, administradora da escola, explicou para a estudante
Mírian Lins, em reportagem no programa de TV Fábrica,
que a sociedade precisa dessas ações positivas. Para ela,
iniciativas que incentivam a profissionalização são
muito importantes para a paz social, pois as pessoas têm oportunidade
de encontrar formas de renda e não ficam à margem da sociedade.
"Estamos felizes de ver a sociedade se mobilizando", disse.
Ativismo e Paz
Estudantes do colégio Nossa Senhora das Dores divulgavam as atividades
da União dos Adolescentes Idealistas (UAI). Esse grupo reúne-se
semanalmente e trabalha com outros adolescentes, discutindo assuntos
como sexualidade, participação social e ambientalismo.
Natália Bazaga Zara, 13, junto a colegas do colégio, faziam
a Campanha do Laço Branco, exigindo o fim da violência
contra a mulher.
"Essa campanha foi lançada no Canadá, e o lema é
jamais cometer um ato violento contra as mulheres e não fechar
os olhos frente a essa violência", explicou Natália.
De acordo com ela, há alguns anos, sempre na última semana
de novembro, são distribuídos laços brancos como
forma de simbolizar esse compromisso. De acordo com pesquisa financiada
pelo Banco Mundial, a violência contra as mulheres com idade entre
15 e 44 anos mata mais do que a malária, acidentes de trânsito
e guerra.
A Fundação Peirópolis, (www.peiropolis.org.br)
dedicada à educação em valores huma-nos, montou
um estande para divulgar as publicações da editora e mostrar
projetos como Cavalinho Azul, para crianças de até 12
anos (gratuito); e o Geração Vida, desenvolvida com jovens
e adolescentes. Segundo Raquel Pereira Alves, professora e coordenadora
de projetos para a infância da Fundação, os 200
jovens, aproximadamente, que frequentam o projeto, passam a ter responsabilidade
em termos de educação sexual e de protagonismo social,
ou seja, tomam consciência de seu papel e tornam-se porta-vozes
de sua própria vida. A Fundação tem diversos outros
programas, como o Liderança Jovem, que busca o desenvolvimenrto
humano como base da construção pessoal, profissional e
social; o Cultura da Paz, que divulga valores universais, ética
e cidadania; além do curso Básico de Educação
em Valores Humanos, entre outros.
Espiritualidade e Paz
A Associação da Prosperidade, ligada ao Seicho-no-ie do
Brasil, divulgava livros e a Oração pela Paz Mundial.
A preletora (pessoa que estuda e divulga a doutrina) Vera Alice Silva
Assun-ção explicava a importância dos bons pensamentos
para a construção de uma realidade melhor. "O universo
responde, se move, conspira na frequência de seu pensamento. Por
isso é muito importante cuidar do que se pensa, e do que se diz",
afirmou. Segundo ela, para aprender a amar as pessoas, é fundamental
saber amar a si próprio. Vera lembrou do ensinamento bíblico:
ame o próximo como a ti mesmo. "Se a pessoa não gosta
de si, não vai gostar dos outros também", argumentou.
O evento contou ainda com a participação de caravanas
de colégios e representantes da Escola Municipal Professor José
Geraldo Guimarães, Escola Estadual Carmelita C. Garcia, Associação
Mineira de Equoterapia, e diversas outras escolas e entidades.
Karla Borges, professora da Uniube, considerou a iniciativa um grande
exemplo para empresas que percebem a necessidade de manter uma relação
de responsabilidade social com a cidade. "É muito interessante
ver uma entidade como o Muzeu do Zebu, um segmento da sociedade cujas
atividades não estão diretamente envolvidas com o tema
da paz, preocupar-se com esse assunto e mobilizar a sociedade".
Para ela, a disponibilidade do espaço físico do Parque
Fernando Costa para esses fins é uma boa notícia.
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