Cidade mostra caminhos para a paz

Escolas e entidades apresentam propostas para a construção de um mundo mais fraterno

André Azevedo
2 período de Jornalismo


Na manhã e tarde de 21 de novembro, dia de Ação de Graças, centenas de estudantes, professores e representantes de instituições da cidade reuniram-se no Parque Fernando Costa para conversar e propor alternativas para a consolidação de uma cultura de paz no planeta. Eles participavam do projeto Museu Dinâmico Construção da Paz, uma iniciativa do Museu do Zebu e Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). A idéia do museu é expor e divulgar projetos que contribuem para a paz.

Durante toda a manhã foram realizadas atividades no palco, como números de dança, apresentações do coral de crianças das escolas municipais e do coral da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Simultaneamente, foram montados, nos pavilhões do parque, diversos estandes de escolas e instituições, onde eram apresentados cartazes, vídeos, maquetes e painéis divulgando as idéias e projetos destinados a fortalecer a educação para a paz, o multiculturalismo e preservação ambiental.

Márcio Cruvinel Borges, presidente do Conselho Curador do Museu, e Catarina Maria Gerolin, coordenadora de projetos, ambos idealizadores do evento, entendem que transformação cultural para a paz exige a participação de todos segmentos da sociedade. Para eles, só com o envolvimento de todos é possível pro-porcionar aos cidadãos "valores que ajudem a construir um mundo harmonioso, digno, com justiça social, solidariedade, liberdade e prosperidade, tendo em vista a igualdade de oportunidades". Segundo o presidente, é fundamental construir a paz a partir das crianças, "pois sabemos que estas sementes que estão sendo plantadas, certamente em terra fértil, darão bons frutos na posteridade". Segundo ele, a vantagem de trabalhar com crianças é que elas não têm vícios arraigados. "Além disso, as crianças mudam os adultos também".

Mas o que os adolescentes imaginam que é preciso fazer para construir um mundo de paz? Douglas Araújo, 11, e Diego Donizete,12, estudantes da Escola Municipal Professor Anísio Teixeira, disseram que é preciso ter mais amizade com os colegas e não brigar nas escolas. Diego criticou a imprensa, afirmando que os meios de comunicação não ajudam na construção da paz. "Porque a imprensa inventa as coisas e depois o povo vai lá tirar satisfação e sai briga. Esses dias, perto da minha casa, um homem, que eu conheço, levou uma facada. Aí a imprensa foi lá e falou que a vizinha tinha dado pinga para o homem. Mas todo mundo lá sabe que não foi nada disso", comentou Diego.

Camila Santos, 13, Grayce Kelly, 14, e Kálita Paula, 13, alunas da Escola Municipal Monteiro Lobato, disseram que, para alcançar a paz, é necessário identificar e eliminar os focos de violência em todos os lugares. "Cada pessoa tem que se conscientizar. A violência está em todos os lugares, até em casa. Quando os filhos respondem os pais, isso já é uma violência. A paz tem que começar dentro de casa, com os pais educando os filhos", disse Kálita.

Mídia da Paz
O curso de Comunicação Social da Uniube tem como uma de suas principais propostas o engajamento dos estudantes na humanização do processo de comunicação. O curso participa do movimento Mídia da Paz (www.midiadapaz.org), uma iniciativa de profissionais que se esforçam para disseminar a cultura de paz nos meios de comunicação. Estudantes de Jornalismo e Publicidade mostraram, no pavilhão da Uniube, suas reportagens, campanhas publicitárias e vídeos que procuram incentivar a tomada de consciência sobre malefícios da mídia sangrenta, deixando claro que divulgar a paz é uma questão de opção. Foram montados quatro painéis com recortes de jornal, mostrando a exploração sensacionalista da violência pela imprensa. Para simbolizar o desejo de transformação da mídia, alunos escreveram BASTA!, com tinta vermelha. Um grupo de crianças de 2 a 6 anos, alunos do Núcleo Municipal Infantil Integração, foram convidados para desenhar temas ligados à paz.

A estudante de Jornalismo, Érika Machado, 20, participou das atividades no pavilhão do curso de Comunicação. Ela considerou importante a iniciativa, e disse que sentiu falta de maior divulgação. "A idéia de expor a paz, especialmente para crianças, é muito importante. Elas já vão crescer com essa idéia, e sabemos que é de criança que se aprende". Érika disse que, nos próximos eventos, outros cursos da universidade também deveriam participar. ‘Todos temos que ter noção de nossa responsabilidade social", afirmou.

Ecologia e paz
A Escola Municipal Monteiro Lobato ocupou um pavilhão inteiro para exibir a VI Feira Interdisciplinar de Conhecimento. Diversos estandes foram montados para estimular a discussão sobre biodiversidade, água, cidadania, ética, preservação ambiental, lixo reciclado e lixo seletivo.

Maria Cristina Rossi, supervisora e vice-diretora da escola, disse que a idéia do trabalho é conscientizar os estudantes sobre as formas de proteção ao meio ambiente, argumentando que a destruição não leva à paz. Lílian José de Souza, supervisora da escola, lembrou que a destruição provoca desarmonia na sociedade. "A gente tenta fazer com que as crianças percebam que através da natureza é que obtemos nosso sustento, tiramos nosso trabalho. A destruição faz com que todos saiam da terra e venham para as cidades, que já estão saturadas", disse.
A Escola Estadual Professora Corina de Oliveira, e a Escola Estadual Paulo José Derenusson, montaram um estande para demonstrar o Projeto de Aproveitamento de Subprodutos. Orientados por professores de Química e Geografia, estudantes utilizam-se de produtos que normalmente são desperdiçados para produzir sucos, ricota e sabão. Os alunos mostraram, no próprio pavilhão, o processo de fabricação de sabão a frio, utilizando óleo vegetal. Os estudantes distribuíram um saquinho com suco de goiaba, produzido através da reutilização do soro de leite. Além disso, visitantes foram presenteados com bloquinhos de sabão produzidos na hora.

Os professores Marcos Cesar de Oliveira e José Rafael Silva explicam que um dos objetivos desse projeto é "provar ao aluno a presença de processos químicos que, a primeira vista, podem parecer complicados e sem importância; mas que fazem parte do nosso dia-a-dia". Esse experimento reforça a idéia de que é possível explorar a reciclagem e o reaproveitamento de forma produtiva. O projeto foi recentemente premiado no 1 Fórum do Ensino Médio do Sudeste – o único do Triângulo Mineiro que conquistou premiação.

A Escola Municipal Santa Maria também participou com estandes destacando a educação ecológica. "A construção da paz ambiental passa pela atitude de reaproveitar para economizar os re-cursos naturais", alertavam faixas e cartazes. As estudantes Camila Mariana, 14, e Renata Couto Lima, 13, participavam na oficina de artesanato feito com materiais reciclados e reaproveitados, como papeis e caixinhas de leite. "O objetivo é conscientizar as pessoas, mostrando que é possível reutilizar recursos industrializados que iriam virar lixo e poluir o meio ambiente", afirmaram.
Na mostra de artesanato feito com produtos reaproveitados do Projeto Lixo Mania, cartazes enfatizavam os benefícios da coleta seletiva de lixo para o meio ambiente. A professora Enedina Maria Borges Silva, idealizadora do projeto, promoveu o Desfile de Moda Ecológica, evento que vem realizando desde junho deste ano. Roupas de TNT (Tecido Não-Tecido) com franjas de fita cassete, babados e recortes de revistas, bustiês bordados de pastilhas coloridas, saias de retalhos, blusas de croché com lacres de latinhas de alumínio, miçangas de flores recortadas de vasilhames plásticos e bolsas confeccionadas com anéis feitos de petche de refrigerante vestiram as modelos, adolescentes da Escola Municipal Santa Maria e as sobrinhas da professora.

O projeto Lixo Mania foi criado em 1994. Segundo Enedina, voluntários recolhem e vendem papel, plástico, latinhas e vasilhames de refrigerante. O dinheiro arrecadado é revertido em benefício da continuação do projeto. "O objetivo é a educação e sensibilização das pessoas em relação ao meio ambiente, em uma construção amorosa da cidadania", disse. De acordo com ela, o projeto existe graças aos alunos, professores e as pessoas que acreditam que é possível fazer algo para conscientizar as pessoas, "como a Tia Cristina, a Vó Leontina e Vó Alderica, que fazem a confecção das roupas", disse.

O artista plástico Mizac Limírio apresentou, para grupos de crianças, o seu Teatro de Fantoches, feitos com vasilhames plásticos. A peça ecológica conta a história de produtos descartáveis que podem ser reutilizados.

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