Todos
querem um pedaço de chão
Luta
pela terra acontece no meio urbano, também
Margarida Ribeiro de Sousa
6 período de Jornalismo
No assentamento Estrela
da Vitória, no bairro Planalto, encontramos mulheres e homens
das mais diversas idades, com sua cidadania comprometida. Eles sofrem
privações diárias, como falta de água, enérgia
elétrica, alimentação e segurança. Uma das
famílias do local é a de Geraldo Cândido Soares,
48 anos, e Rosana Martins. O casal tem oito filhos, com idade entre
1 e 11 anos, além de uma criança recém-nascida.
Segundo Geraldo, que vive num pequeno barraco, apesar de estarem rodeados
por tanta miséria, ainda existe esperança. Ele e a esposa
estão desempregados, mas agradecem a Deus por ter conseguido
um lugar para morar. Antes, eles pagavam aluguel. Enquanto não
conquista sua independência financeira, Geraldo procura participar
ativamente das reuniões e decisões feitas no assentamento,
sob o apoio da associação dos assentados, liderada por
Arildo Indalécio. Ele acredita na organização do
grupo, é consciente de que sozinho não sairá desta
situação. "Depender da boa vontade e da ajuda das
pessoas é muito humilhante", diz.
De braços abertos
Arildo Indalécio, responsável pela associação
que cuida das necessidades da comunidade, relata: "No lugar ocupado
pelas 400 famílias, todas as pessoas são conscientes do
seu papel. Elas são os principais agentes da luta pela moradia
própria. O assentamento está organizado em quadras e lotes.
Cada quadra tem seu coordenador, com o total de 30 pessoas, todas residentes
em Estrela da Vitória. O lema é a unidade."
O sofrimento de um é também global. Exemplo disso são
os multirões. De acordo com Arildo, as construções
são realizadas em conjunto: as cisternas, as casas, o galpão,
um banco e, inclusive, as decisões. São realizadas três
reuniões semanais, nas quartas, sextas-feiras e no domingo. A
tendência é fortalecer as classes sociais, ajudando principalmente
os mais pobres, e resgatar a dignidade dessas pessoas. Mas a luta luta
vai além da conquista de moradias eles buscam formação
para direcionar os trabalhos.
O movimento conta com o apoio da Central dos Movimentos Populares, da
Associação dos Moradores do bairro das Américas,
da Pastoral da Criança, da Comissão dos Direitos Humanos,
da Promotoria dos Direitos Humanos e da Universidade de Uberaba, entre
outros. "É um movimento com vida própria, porém
com braços abertos para quem quiser ajudar", afirma Arildo.
Lutando pela água
Para Arildo Indalécio, a política habitacional ainda não
esclareceu quem é o verdadeiro proprietário da terra onde
estão os asssentados. Hugo Bichuete, presidente do Codau, declara
que três torneiras foram instaladas até o momento. Mas
a distribuição não atende as necessidades da comunidade,
uma vez que foram instaladas no mesmo local. Os moradores explicam que
a solução ocorreria se as torneiras fossem instaladas
em pontos diferentes da área. Também, apenas as três
torneiras são insuficientes para suprir a necessidade de todos.
"A situação dessas famílias é de luta
e de esperança. Tudo o que têm é a insegurança,
pois sabem se saírem do assentamento vão para a rua, porque
não têm para onde ir. Por isso, lutam para conquistar a
terra. As famílias não querem nada de graça. Em
momento algum, essas famílias merecem ser mais penalizadas do
que já são pela vida" , desabafa Arildo.
Este retrato da cidade mostra que a reforma urbana é tão
urgente quanto a reforma rural.