Campo
Florido: a eterna luta pela terra prometida
Famílias
do MST tentam levar uma vida norma em assentamento Ranchinho
Simone Souza
7 período de Jornalismo
Cerca de cinco quilômetros depois da cidade de Campo Florido,
seguindo pela rodovia BR-262, fica o assentamento Ranchinho, reconhecido
pelo governo há sete anos. Na imensidão de terra, cuja
área total representa cerca de 2.500 hectares, convivem 115 famílias,
em 117 lotes. Todos os moradores são integrantes ativos do Movimento
dos Sem-terra (MST). As terras ainda pertencem oficialmente ao Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra),
mas a maioria dessas pessoas já reconstruiu suas vidas no local
que, finalmente consideram seu "pedaço de chão".
Uma das famílias assentadas é a de Valdivino Ferreira
e de sua esposa Zenaide. Casados há quase 50 anos, eles tiveram
nove filhos dos quais três já morreram e
hoje, ajudam a cuidar de 19 netos. O casal veio de Iturama, onde Valdivino
trabalhava como lavrador e Zenaide era empregada doméstica. Ele,
cansado de receber salário por safra, sem carteira assinada ou
direitos garantidos pela Previdência Social, e ela, humilhada
pelos maus-tratos da patroa, decidiram mudar de vida e saíram
pelas estradas. Durante essas andanças, encontraram um grupo
do MST e aderiram ao movimento, no fim da década de 80.
Vinte anos depois, com muita luta e paciência, o casal tem a posse
de uma propriedade de 14 hectares onde plantam legumes e verduras
para vender e criam galinhas, um porco e uma cabra, para subsistência.
A maioria dos filhos mora em lotes próximos, com exceção
de duas moças que se casaram e foram viver no assentamento do
Rio do Peixe, também no Triângulo Mineiro. A caçula,
Luzimar Ferreira da Silva, mora ao lado dos pais com o marido, José
Maria da Silva, e os filhos Jeremias, 4 anos, e Débora, 2 anos
.