Deficientes

A procuradora federal dos Direitos do Cidadão de São Paulo, Eugênia Augusta Favero, abordou na palestra sobre o "Direito à diferença e seu tratamento pela mídia" o tema “Portadores de Deficiências vistos pela Mídia”, mostrando que incluir alguém não é simplesmente colocar alguém em algum lugar.
Segundo ela, o problema de maus tratos com pessoas portadoras de deficiências vem de algum tempo e o que está acontecendo na atualidade é uma evolução. Na Esparta, que fica na Grécia, as pessoas frágeis eram jogadas no abismo. A Lei das 12 tábuas de Atenas também da Grécia, permitia que os pais matassem seus filhos deficientes. Hoje isso não acontece mais, cresceu uma visão de assistência, mas o preconceito ainda é grande, dificultando a inclusão destas pessoas na sociedade.
Eugênia Favero salienta que os portadores de deficiências merecem respeito e devem ser vistos com normalidade, pois fazem parte de 10% da população brasileira. “Cada um pode se adaptar a uma situação, mas para isso a sociedade deve mudar junto, para que o preconceito acabe”. Esta situação pode ser comparada a uma estrada de mão dupla, a integração do portador de deficiência na sociedade depende de seu esforço e também da mudança de opinião das pessoas em geral.
A Constituição garante a dignidade da pessoa humana e educação para todos Ainda prevê vagas específicas em concursos públicos para pessoas com deficiências. Ela observa que todas as pessoas têm o direito de ir e vir, mas os deficientes não. Inexistem rampas para eles subirem com a cadeira de rodas e outras estruturas que auxiliem sua locomoção. É preciso mudanças arquitetônicas para que todos possam se locomover com facilidade. Conforme explica a procuradora federal Eugênia Augusta, todos têm direito ao estudo, mas se na Universidade tiver apenas escadas e nenhuma rampa, corrimão, ou nada que auxilie uma pessoa com deficiência, estará vetando o direito de estudo do cidadão. Também está infringindo o artigo 5¼ da Constituição Brasileira, que assegura o direito de ir e vir. “O principal instrumento para a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade é a educação e depois a mídia. Nas escolas deve se ter o maior cuidado e atenção com estas pessoas”, sentencia.
Os portadores de deficiências têm ainda o direito à saúde com tratamento prioritário, prevenção, programas especiais e reabilitação, independente da situação em que se encontra. Conforme explica a procuradora Eugênia, as pessoas não recebem o auxílio necessário e se calam por simplesmente não conhecer seus direitos. “As pessoas devem lutar por seus direitos, buscar entender sobre a cobertura dos planos de saúde e o que podem oferecer”, diz.
Além destas mudanças, deve-se cuidar a cada dia para que o pensamento e as atitudes das pessoas se tornem mais humanas e menos preconceituosas com estas pessoas que embora normais, não são vistas assim. De acordo com ela, cada mudança para o bem em relação aos portadores de deficiências causam marcas profundas em suas vidas. E isso realmente faz uma grande diferença para a formação de uma sociedade mais humana e justa.

 

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