Procuradores denunciam discriminação da televisão
Formadores de opinião, os meios de comunicação influenciam as relações entre as pessoas. Negros, índios e deficientes físicos são segmentos marginalizados e excluídos pelas empresas de comunicação

Luciana Souza
6 período de Jornalismo


OMinistério Público Federal realizou um ciclo de palestras sobre o “Di- reito à diferença e seu tratamento pela mídia”, na Associação Comercial e Industrial de Uberaba (ACIU), no último dia 22. As discussões foram destinadas aos profissionais de imprensa de Uberaba e região.
Uma das palestrantes foi a procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Maria Eliane Menezes de Farias. Ela falou sobre o preconceito de raça, xenofobia e intolerância correlata vistos pela mídia, destacando que os meios de comunicação em geral tem pouco interesse em pessoas de outra raça que não seja a branca.
“Hoje, existe no país uma divergência cultural que pode auxiliar na formação do preconceito das pessoas. A mídia é uma grande formadora de opiniões e precisa estar atento para estas questões que podem mudar o comportamento da sociedade”, declara a procuradora federal.
Ao contrário do que deve ser feito, as empresas de comunicação estão ocultando este problema e deixando de incluir pessoas de outras raças, como o negro ou o índio. Na maioria das vezes quando são apresentados, mostram-se de forma pejorativa ou discriminatória. A procuradora Maria Eliane Menezes destaca que os canais televisivos mostram sempre os portadores de alguma deficiência como um problema dentro do lar e sempre no final do programa a pessoa volta a andar, a ver, ou seja, resolve seu problema. “O portador de alguma deficiência pode e é feliz em sua vida, cada pessoa se adapta a sua realidade”, observa.
Os negros constituem cerca de 44% da população brasileira e mesmo assim ainda é difícil encontrá-los em papéis de destaque na tv. Conforme mostra a procuradora federal dos Direitos do Cidadão, de 1951 até hoje, se fez na televisão brasileira 512 novelas, nas quais apenas quatro famílias de descendência negra de classe média foram apresentados. Na publicidade, o descaso com as pessoas de outra raça é mais forte. Os negros aparecem cinco vezes menos que os brancos nos comerciais transmitidos pela televisão.
A discriminação abre um pouco mais seu leque abrangendo também as mulheres, índios e homossexuais. Em alguns programas de televisão pode-se notar que a imagem é explorada de forma negativa. São situações que podem ofender a quem assiste.
Maria Eliane Menezes de Faria mostra que a mídia precisa mostrar mais a verdadeira realidade brasileira para que as pessoas possam formar uma cultura de opinião mais humana e menos preconceituosa . “No Brasil existem homens de raça diferente da branca, existem os feios, os obesos, os homossexuais, os que não são cristãos, os portadores de deficiências físicas e mentais, entre outros. Portanto, deve ser mostrada a realidade e não um modelo perfeito de uma pessoa que não existe”.

 

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