Maternidade precoce

A dura realidade das adolescentes que vascilaram na hora H

Carina Araújo
3 período de Jornalismo


Largar as bonecas para cuidar de bebês de verdade; enfrentar as alterações físicas pouco depois de começar a usar o primeiro sutiã, suportar o preconceito social, a ira dos pais e até mesmo o abandono. Esta é a dura realidade enfrentada por um número cada vez maior de adolescentes que engravidam antes dos 18 anos. Os dados do Ministério da Saúde indicam que no ano passado, do total de partos realizados pela rede pública, 25% foram de adolescentes grávidas. Os dados apontam ainda que no ano de 2000, 32,4 mil jovens com menos de 15 anos ficaram grávidas.

O caso de J.R.S. ilustra esta realidade. Aos 12 anos ela ficou grávida depois de manter a primeira relação com o namorado, A.J., 15 anos. Os dois mal sabiam o que eram métodos anticoncepcionais. O resultado do desconhecimento foi o nascimento de L. C., há 4 meses. A adolescente nunca tinha ido a um ginecologista, disse que só foi ao médico quando soube que estava grávida.

A notícia da gravidez assustou J.R.S que revela ter chorado muito quando soube que iria ter um filho. O motivo de tantas lágrimas, segundo ela, foi o fato de saber que não ia ter mais liberdade para brincar com suas amigas, como fazia antes. A rotina dela mudou não só nas brincadeiras, mas também nas outras atividades diárias. J.R.S. teve que se afastar da escola onde cursava a 6 série do ensino fundamental.
Além de conviver com os conflitos internos de uma cabeça de criança com o corpo de mulher que precocemente assume a maternidade, J.R.S teve que enfrentar a reação dos pais. Segundo a mãe, tanto ela como o marido levaram um choque ao saber da gravidez da filha. "No início fiquei muito chateada com ela, mas agora tenho que dar muito apoio à minha filha", testemunha.

L.T, 17 anos, não teve a mesma sorte que J.R.S que recebeu o apoio dos pais. Um mês depois de conhecer Francisco, 24 anos, ela ficou grávida. "Saí com Francisco apenas para curtir e olha só no que deu. Tive uma gravidez tumultuada, ele não quis saber de mim nem da criança, meus pais me expulsaram de casa, tive que me virar sozinha para cuidar da minha filha, hoje com 1 ano e 2 meses", relata L.T.
Diferente dela, Samira, 18 anos, tirou a sorte grande. Namorou quatro anos com Rogério, hoje seu atual marido. Ela conta que estava cursando o 5¼ período de fisioterapia quando ficou grávida. "No início assustei, pois o bebê não foi planejado, porém, Rogério e minha família me deram a maior força. Nasceu Felipe e quando ele estava com quatro meses me casei. Não abandonei a faculdade e hoje somos uma família muito feliz", disse Samira.

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde revela que 40% das mães adolescentes acabam reincidindo na segunda gravidez. As causas apontadas pelos especialistas estão na falta dos responsáveis orientar as mães precoces sobre os cuidados que devem tomar para evitar que o fato se repita, e o descuido das adolescentes na utilização dos métodos anticoncepcionais.

A participação dos pais para dar força às filhas grávidas pode ser decisivo para o futuro da mãe e do bebê. A psicóloga Aparecida Lima, explica que as adolescentes que engravidam cedo, passam por vários distúrbios psicológicos, desde a notícia da gravidez até o nascimento da criança. "Estes distúrbios são provocados, na maioria das vezes, pela rejeição dos pais, de onde se busca uma maior compreensão. Sendo assim, provoca-se um amadurecimento forçado na mãe do bebê. Para evitar qualquer dano psicológico à mãe e ao bebê, é necessário uma conformação urgente de modo a não afetar o estado emocional de ambos", conclui a psicóloga.
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