A luta pelo espaço feminino

Em busca da independência, as mulheres saem
de casa e quebram tabus, vencendo preconceitos


Adriana Amaral Guardieiro
7 período de Jornalismo


Neste século, as mulheres revolucionaram os costumes. Criaram e invadiram espaços, brigaram, fizeram passeatas, ganharam força e passaram a ser ouvidas. Sofreram, porém mostraram que podem ser alguém na sociedade.
A mulher que desenvolve a sua atividade fora do lar enfrenta, muitas vezes, uma dupla ou até tripla jornada de tra-balho. Além de desempenhar funções profis-sionais para ajudar no orçamento domés-tico, ainda tem que atuar como mãe, dona de casa e esposa.
Tirando essas preocupações, a mulher ainda enfrenta, no seu dia-a-dia, preconceitos de toda ordem: ganhar um salário menor que o homem que executa a mesma tarefa, discriminação por ser mulher e obrigação de estar sempre bonita e pronta para vencer as dificuldades de uma sociedade machista.
Maria Aparecida Souza Duarte ou Cida, como é conhecida, deixou os afazeres domésticos há um ano e passou a vender roupas que ela mesma confecciona. "Eu me separei de meu marido e vi que tinha que fazer alguma coisa para que meus filhos não passassem necessidade. O pai ajuda muito, pagando faculdade e remédios, mas isso não é o suficiente", conta.
Mãe de três meninas e um rapaz, Dona Cida começou seu trabalho costurando retalhos e vendendo as roupas para pessoas mais conhecidas. Depois, com o dinheiro que conseguia juntar, comprava mais tecido e os costurava. "No começo foi muito difícil até eu conseguir um capital bom. Hoje, tenho uma certa renda por mês. Recebo até encomendas de fora da cidade. Passo noites em claro costurando para dar conta dos pedidos", revela.
Dentre seus quatro filhos, Elton, de 24 anos, e Renata, de 22, estudam na Universidade de Uberaba, cursando Direito e Odonto, respectivamente. "É preciso ter curso superior, atualmente, para se conseguir um emprego. O mercado está muito difícil, tanto para homem quanto para mulher. A gente não pode ficar parado e eu estou lutando para dar o melhor para meus filhos. Estou sempre de cabeça erguida", diz Dona Cida.

A conquista profissional
Em muitas atividades profissionais, as empresas optam pela mão-de-obra feminina por notarem maior dedicação e, também, porque a faixa salarial é menor. É o que diz Andressa Mendes Rosa Peres, 22, estudante de Publicidade e Propaganda na Uniube e mãe de um menino de 4 anos. Na opinião dela o preconceito em relação à mulher está diminuindo, por isso ela procura sua independência no mercado de trabalho. "Só fica como dona de casa quem quiser. Você pode ter seu filho e trabalhar ao mesmo tempo, mas é preciso deixá-lo com uma pessoa de muita confiança", aconselha.
Ela trabalha como bancária temporária, e confessa que o pouco tempo que passa com o filho tenta se dedicar totalmente a ele. "Como a educação dele está nas mãos de outra pessoa, eu preciso ter segurança no que estou fazendo. A tendência é de aumentar o número de mulheres trabalhando fora. E eu acho que a sociedade já está encarando esta mudança de forma mais positiva. Se a mulher tem vontade de fazer algo diferente, que ela acredite, tem que correr atrás", conclui.
Para Cristiane Guarato, estudante, também, de Publicidade e Propaganda na Uniube, o homem vê tudo pelo lado racional enquanto que a mulher observa o lado emocional e consegue resolver melhor os conflitos através da confiança e não do medo. Por isso ela está conseguindo seu lugar na sociedade.
Mãe de um menino de 6 anos, Cristiane trabalha no departamento de marketing de uma empresa da cidade. Para ela, o mercado está complicado para homem e mulher, mas sempre tem um espaço para quem busca o que deseja. "Ser mãe, dona de casa e trabalhar não é fácil. Você tem que ter horário para tudo. O desemprego está muito grande, mas, apesar disso, a pessoa tem que arriscar, acreditar nela mesma. Essa foi uma opção de vida que eu fiz", termina.

 

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