Aterro sanitário pode por fim ao lixão de Araxá

Na maioria das cidades, um dos maiores problemas para a administração municipal é consumir o lixo gerado pela população, comércio e indústrias da cidade.

Maurício de Castro Rosa
5 período de Jornalismo


Em Araxá, um projeto em fase final de aprovação, colocará fim às condições precaria onde são depositado o lixo da cidade.
Basicamente o projeto consiste em escolher um lugar adequado, prevendo sua localização, observando os mananciais hídricos subterrâneos e superficiais em posições favoráveis. O solo da base deve ser devidamente compactado e impermeabilizado pela própria argila ou com a utilização de mantas de polietileno, faz-se uma previsão dos caminhos adequados para o chorume (liquido gerado na fermentação do lixo) e as formas de tratá-los; prevêem também as tubulações verticais e perfuradas, colocadas na massa do aterro para coleta dos gases que serão gerados , dando a eles destinações que podem ser a simples queima; prevêem as coberturas com terra a cada disposição do lixo e finalmente, fica definido um gerenciamento dos posicionamentos das células, coordenados com as movimentações de caminhões e pás carregadeiras.

Completando a eficiência do Aterro Sanitário, para que ele tenha vida longa, deve ser acoplado um local próximo para seleção do lixo e reaproveitamento voltado para às reciclagens, podendo ter centros de triagem espalhados pela cidade.

Araxá recebe hoje um volume de 50 toneladas de lixo por dia, que é depositado a céu aberto em uma vassoraca (um tipo de erosão). O lugar que hoje é chamado de lixão é situado na estrada de Araxá – Patos de Minas na altura do Km 6 após o entroncamento da rodovia 262.

Há 20 anos o lixo de Araxá é depositado neste lugar e o projeto para que o lixão se transforme em Aterro Sanitário esta na prefeitura desde 1994. Este projeto ainda não foi executado devido a algumas alterações exigidas pela FEAM (Órgão que controla o meio ambiente em Minas Gerais).

Na caracterização que foi feita deste lixo, 75% é orgânico (pode ser transformado em adubo e 25% tem valor agregado que possibilita sua reciclagem, ou seja, constituído por papeis, papelão, plásticos, vidros e metal.

De acordo com a ambientalista da prefeitura Rosangela Rios, as ultimas modificações no projeto já foram enviadas para a FEAM e provavelmente, este ano o projeto de aterro sanitário devera ser executado. A empresa BUNGE; uma das mineradoras na cidade de Araxá irá assumir os custos para realização do projeto; facilitando sua viabilização.

Rosangela Rios afirmou que é projeto da Prefeitura Municipal de Araxá, assim que implantar o aterro sanitário, incentivar a coleta seletiva e montar projetos pilotos em bairros para produção de adubos.
Não existe intenção da PMA de fazer usina de reciclagem, pois o volume é muito grande. Para cidades com mais de 20000 habitantes torna-se inviável essa reciclagem.

Atualmente em Araxá existem cinco famílias que vivem da cata de restos no lixão e da coleta seletiva na cidade. Sem qualquer equipamento de segurança minimo; como luvas e mascaras, elas passam mais de dez horas por dia em contato com o lixo e aspirando a fumaça proveniente da queima dos rejeitos da separação do lixo, ficando expostas a todos os tipos de contaminações. Estas pessoas, disputam lugar com cachorros, ratos, urubus e outros famintos que ali almejam matarem sua fome. No primeiro dia que fui ao lixão coletar dados e tirar algumas fotos, logo que cheguei, um garoto de uns onze anos me advertiu, para que não passasse em uma certa àrea, pois o lugar estava infestado de pulgas, agradeci, mas não me livrei de algumas intrusas.

Papel, papelão, sucatas de ferro, plásticos, vidros e garrafas pets são os produtos mais selecionados para comercialização; entretanto o alumínio é o mais procurado entre os catadores. Para Carlos Donizete Rodrigues um dos catadores que trabalha na separação, na compra e na comercialização do lixo a mais de 20 anos, o alumínio é pré-selecionado ainda no lixo das casas, das indústrias, do comércio, ou até mesmo antes de ir para o lixo. "A quantidade deste metal que chega ao lixão é muito pequena, pois seu valor comercial é muito bom", afirma Carlos. Consultado o preço e volume dos produtos comercializados no lixão, Carlos ficou meio apreensivo em responder mas passou os seguintes dados:

Quantidade, preço e principais produtos comercializados no lixão de Araxá
Plástico de garrafas Pets – 12 toneladas mês à R$ 0,20 o kilo
Plástico Grasso – 10 toneladas mês à R$ 0,12 o kilo
Plástico de Mole – 12 toneladas mês à R$ 0,15 o kilo
Vidro – 12 toneladas mês à R$ 0,10 o kilo
Ferro - 15 toneladas mês à R$ 0,15 o kilo
Papel – 14 toneladas mês à R$ 0,15 o kilo
Alumínio – 200 kilos mês à R$ 1,80 o kilo


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