Precariedades afetam a Justiça

Juízes enfrentam falta de estrutura e grande volume de processos


Tereza Ávila
7 período de Jornalismo


O diretor do Fórum Mello Viana, Habib- Felippe Jabour, afirma que a profis-são de juiz exige certos requisitos, como amor à Justiça e vontade constante de dar a cada um o que é seu destemor. Ao mesmo tempo prudência, estudo constante, determinação e até mesmo saúde para enfrentar o enorme volume de serviço.
A estrutura oferecida para o exercício da função em alguns lugares é extremamente precária, principalmente no interior dos Estados. Já nas comarcas maiores, o Poder Judiciário tem se informatizado, proporcionando uma agilidade maior, como é o caso de Uberaba. Segundo Jabour, o espaço físico precisa ser ampliado: "Nosso Fórum não comporta mais o número de juízes que tem."
Cada juíz é responsável, em média, por 3 mil 500 processos, enquanto o ideal, segundo estudos da Assoçiacão de Magistrados do Brasil, seria 300 processos ao mês. Seria necessário um maior número de juízes para diminuir a carga de serviços e oferecer um melhor serviço à comunidade.
Segundo Jabour, no Brasil existe um juiz para cada 21 mil a 23 mil habitantes, enquanto nos países desenvolvidos esse número é de um para cada 3 mil habitantes. Ele explica que o motivo para esse número reduzido se deve em parte à incapacidade dos candidatos que se habilitam ao cargo de juiz. Os aprovados representam somente 10% do número de vagas. Segundo Jabour, a morosidade da Justiça se deve não ao Poder Judiciário em si, mas ao Poder Legislativo que, às vezes, permite que haja muitos recursos e isso retarda o desfecho do processo.
Atualmente são 12 juízes atuando no Fórum Melo Viana e 27 mil os processos em andamento. Jabour afirma que, com a lei 9.099/95, entrou em vigor o Juizado Especial, que veio desafogar bastante a Justiça Comum. Seus julgamentos são infinitamente mais rápidos. "Se resolvem em duas audiências no máximo", explica.
O juiz ressalta a necessidade de um serviço de comunicação social para a Justiça de primeira instância, federal, estadual e trabalhista. A função seria exercida por um jornalista/advogado, subordinado ao júiz diretor do Fórum. Esse serviço seria o elo entre o órgão de Justiça e a imprensa e se realizaria de modo ativo, pré disponibilizando matérias para informação social, bem como servindo de fonte para a imprensa. Atualmente, o cargo não é possível, pois precisa ser aprovado através de concurso público, o que não está previsto, pelo menos por enquanto. "Tenho vontade de viabilizar esse projeto. Apesar de alguns percalços, é gratificante, exerço minha profissão com carinho, atenção e zelo. Sou muito feliz", afirma.O juiz diz o que pensa sobre questões polêmicas
Casamento de homossexuais: "Sou contra, É desnessessária e contraria as culturai e religião do país"
Aborto: "Sou contra a legalização do aborto, sou a favor da vida "
Maconha: "Sou contra, a legalização aumentaria o consumo e incentivaria o tráfico"
Pena de morte: "Sou totalmente contra, não solucionaria o problema da criminalidade. É inconstitucional"
Prisão perpétua: "Sou a favor somente em determinados casos "
Responsabilidade penal aos 16 anos: "Sou contra , um jovem de 16 anos é muito imaturo para o discernimento completo."
Mudança de sexos: " Não tenho uma opinião formada"
Clonagem: "Falta ainda mais pesquisas sobre o assunto"

 

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