Projetos aproximam deficientes visuais na comunidade

Projeto tem diminuido barreiras e preconceitos, fazendo com que nossas crianças mostrem que são pessoas capazes como qualquer outra

Mariana do Espírito Santo
1Período de Jornalismo

Educar e amparar aqueles que fisicamente não enxergam. Esse é o trabalho que o Instituto de Cegos de Uberaba vem desenvolvendo há 60 anos. Segundo Aparecida Garcia, uma das diretoras do Instituto, o objetivo é "fazer com que a pessoa que aqui entra, saiba usar essa casa como a sua, onde ela recebe instruções para nortear a sua vida de acordo com as vontades que ela possui".

O Instituto de Cegos do Brasil Central (ICBC) é uma entidade filantrópica sem fins lucrativos, mantida por sócios espontâneos que dão quantias variáveis e também por convênios com Prefeitura, Estado, festas e campanhas que são realizadas na instituição.

O grande incentivo do ICBC está relacionado ao estudo. Lá funciona a Escola Anexa ao Instituto de Cegos, que oferece um grande número de atividades específicas aos deficientes visuais. Entre elas, a oficina de música ministrada pelo professor Majaca. Ele afirma que, com poucas aulas, os alunos já têm condições de participar ativamente de apresentações. "Elas adoram, e o índice de faltas é baixíssimo", comenta. Majaca é coordenador do projeto Em ritmo de inclusão que visa levar essas atividades da Escola Anexa para outros ambientes escolares. "Esse projeto tem aproximado cada vez mais o deficiente visual na comunidade, diminuindo barreiras e preconceitos existentes, fazendo com que nossas crianças mostrem que são pessoas capazes como qualquer outra", diz.

Apesar de todo o empenho de todos os funcionários dessa instituição, infelizmente a participação da família na vida da maioria dos alunos internos e semi-internos ainda é mínima. "A família é a primeira a construir o preconceito pelos deficientes visuais, pois não têm o preparo para receber esse filho ‘diferente’ que chega em sua vida. Aqui, nós fazemos de tudo para que a criança se sinta em sua própria casa", comenta Roselena Cunha, coordenadora da Escola.

De acordo com ela, a maioria das cidades brasileiras não está adaptada às necessidades dos deficientes. "Em Uberaba, por exemplo, não há semáforos próprios para o deficiente visual; passeio público é desnivelado, o que dificulta a passagem dos deficientes físicos; telefones públicos e caçambas são colocados no meio do passeio, fazendo com que fique mais fácil acontecer algum acidente com os deficientes", diz Adilsson Antônio, professor do Instituto de Cegos e integrante de um novo projeto da prefeitura para melhorar as condições de vida do deficiente na cidade. "O projeto está em andamento, e logo vamos poder ver as mudanças", afirma.

O professor lembra que a obrigação de ajudar não é apenas das prefeituras brasileiras. As pessoas também têm que ter a consciência de que o deficiente, seja ele físico ou visual, é um indivíduo que vive normalmente, porém com algumas limitações ele não pode e nem quer se sentir inválido. O mais importante é fazer com que essas pessoas se sintam bem, na presença de pessoas ditas "normais".

"A população em geral é nossa parceira, nosso ponto de apoio, porque todos são nossos companheiros na luta pela sobrevivência, em dar sentido à vida. Que todos também tenham no deficiente um parceiro, pois poderão alcançar muitos benefícios e nós só queremos uma oportunidade para mostrar isso," afirmou.

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