O valor que o idoso tem

Aumenta a procura por vagas em asilos e casas de assistência aos idosos

André Nunes
5 período de jornalismo

O tempo passa, com ele a infância e a juventude. Aprendemos a andar, a falar, a escrever e a ter vida própria. Escolhemos uma profissão e dedicamos anos ao trabalho. Namoramos e encontramos a "alma gemêa". Nascem os filhos e os criamos. Depois os netos. E chega a terceira idade, um momento que deveria ser de paz e reconhecimento da família. No entanto, às vezes, não é isto o que acontece!
A vida moderna, onde todos correm pela sobrevivência, faz com que os idosos fiquem relegados a segundo plano, até mesmo por seus familiares. A saída é levá-los para morar nos asilos. Mas, o que encontrarão lá?
Alguns dos asilos visitados em Uberaba são lugares acolhedores, cheio de paz, amor e paciência. Porém, outros são tristes e machucam o coração. Essa realidade deixa marcas, mágoas e decepções.
Na cidade existem sete asilos em funcionamento, com aproximadamente 300 internos. São eles: Pedro e Paulo, Santo Antônio, São Vicente, Inês Maria, André Luiz, Bezerra de Menezes e Lar da Esperança. Nos últimos anos, três asilos foram desativados por falta de estrutura e condições adequadas.

Asilo Sâo Vicente de Paula um exemplo de dedicacão e zelo
A reportagem do Jornal Revelação visitou dois desses asilos, o André Luiz, que é uma instituição independente e que sua administração preferiu não dar entrevista e o São Vicente de Paula, um exemplo de solidariedade e organização.
Atenciosa, a irmã Clélia Maria Bosquetti, 56 anos, coordenadora do Asilo São Vicente de Paula, forneceu detalhes da estrutura e funcionamento do estabelecimento. Segundo ela, a instituição não recebe verbas, federal e estadual e nem municipal. É mantido exclusivamente por doações, trabalhos voluntários, promoções, parcerias e festas. Na última sexta-feira de cada mês, um jantar é oferecido àqueles que se sentem sensibilizados e querem colaborar. A festa tem início às 20 horas e só termina às 2 horas da madrugada.
De acordo com irmã Clélia, as pessoas que participam da festa querem colaborar para a manutenção do asilo, porque a grande maioria dos internos não tem parentes. São pessoas que moravam em barracos, completamente sozinhos, ou mesmo pessoas que viviam nas ruas a mendigar. São poucos aqueles que tem filhos.

Voluntariado

O asilo conta com a participação de vários grupos de voluntários. Um deles é formado por profissionais da saúde. Eles fazem trabalhos de fisioterapia, por exemplo, que é bom para a saúde dos idosos. "Para nós, isso é ótimo, porque enquanto eles ficam entretidos, a gente pode trabalhar um pouco mais tranquilos", confidenciou Cléia.
A voluntária Maria Abadia Pereira, 51 anos, dos quais oito dedicados ao Asilo São Vicente, coordena um bazar. A renda é utilizada em benefício da entidade. "A gente vem todas as quartas-feiras , com todo amor. Somos 66 voluntárias. Fazemos cintos com materiais recicláveis, pinturas, crochês, costuras e outros produtos", explicou Maria.

 

Morar num asilo