Comunidade relembra seus mortos

Independente de religião, os uberabenses visitaram os túmulos de seus familiares nos cemitérios da cidade


Ronay Crisóstomo
6 período Jornalismo


"O que será do amanhã? Como vai ser o meu destino?" O amanhã só a Deus pertence. Felizmente ou infelizmente, não sabemos o que o futuro nos reserva. A única certeza que temos, enquanto seres humanos, é de que um dia iremos morrer. Mas, o que significa a morte para o homem? Os católicos vêem na morte uma passagem, um reencontro com Deus. Para os espíritas e budistas, significa a desencarnação do corpo físico. Os evangélicos, acreditam que a morte seja a continuação da vida eterna.

Mais de 100 anos de vida

Para muitas pessoas o segundo dia de novembro não passa de mais um feriado nacional. Porém, outras fazem valer o nome do feriado e se deslocam de suas casas a caminho dos túmulos de seus entes queridos. Em Uberaba temos dois cemitérios. O São João Batista, com mais de 100 anos de existência, comporta uma média de 220 mil sepultados, variando de 35 a 40 mil túmulos. E o Cemitério Candongas, com cinco anos e dois meses de existência, comporta um total de 3 mil e 100 sepultados, equivalendo a 2 mil e 500 túmulos.
As pessoas preferiram fazer a sua visita aos túmulos no período da manhã. Em frente ao cemitério mais de 20 barracas foram instaladas para atender aos visitantes. Velas, flores, águas mineral e de coco, refrigerantes, picolés, salgados e outros produtos foram preparados pelos comerciantes, com o intuito de atender à procura e é claro, de ganhar um dinheiro extra.
Reginaldo Velasques de Morais é um dos funcionários do Cemitério São João Batista. Há 25 anos ele exerce a profissão de coveiro, com uma equipe de quatro pessoas. Eles realizam em média 4 a 10 sepultamentos por dia. Já acostumado com o ofício, Reginaldo diz que o serviço de coveiro "é como qualquer outro".

Visita aos túmulos

No último dia 2, antes de seis horas da manhã alguns uberabenses já começavam a chegar ao Cemitério São João Batista. "Cheguei lá eram seis horas e já tinha gente", declarou Sebastiana Santana, uma senhora que encontramos no estacionamento, lotado durante todo o dia.
Quem entrava no cemitério trazia nas mãos flores ou velas. Aquele era o momento de relembrar os entes queridos. A expressão das pessoas era quase que unânime. Conversavam num tom baixo e nos rostos deixavam transparecer uma semblante entristecido. A saudade talvez seja a melhor palavra para decifrar aquele momento. Crianças, adultos e idosos, juntos procuravam pelas quadras a numeração do túmulo. Uma foto em destaque seguida de um sobrenome identificava a maioria deles.
Chegando aos túmulos, os visitantes faziam movimentos com seus lábios, como se conversassem com seus mortos. As velas eram acesas e as flores colocadas sobre as lapides. Alguns não continham as lágrimas. Emocionados, beijavam aquelas fotos ou as flores que traziam.

 

Morte, começo ou Fim?

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