Festa, cerveja e o que vier

Fernando Machado
3¼ período de Jornalismo

A noite uberabense, aquecida principalmente pela juventude, não tem exatamente um ponto ou uma rua onde está concentrada a diversão. Os bares estão espalhados pela cidade e, devido aos seus históricos, servem de ponto de referência para recém-chegados. "Vá à minha casa, fica perto do Arquimedes"
O mineiro, simples e franco, como ficou conhecido, adora jogar conversa fora. Não é raro acontecer, em alguns bares, o garçom ou garçonete tomar assento à mesa dos cliente para contar suas estórias e até fechar pequenos negócios. Débora, garçonete do Pacheco, contou que está de tal maneira acostumada a lidar com todos os tipos, que acabou por adquirir o que chama de "jogo de cintura". Hoje em dia, não encontra embaraços para se safar, por exemplo, de cantadas do mesmo sexo. "Levo numa boa e já fiz amizade com algumas dessas pessoas" e, emendando, ela não disfarça que, tal qual as enfermeiras, "as garçonetes também despertam fantasias".
Existe uma nítida segmentação nos bares e nas boates. A última atrai quase exclusivamente os mais jovens, fãs do rock and roll e dos ritmos dançantes.
A primeira tem o público mais diversificado, com idades variadas. Os bares próximos à Universidade de Uberaba acolhem os saídos do trabalho ou da aula noturna para uma partida de sinuca e uma cerveja. A preferência fica com a marca Skol. Em alguns bares da cidade, devido a frequência de "canos", resolveram adotar a medida (ilícita, diga-se) de só entregar a mercadoria mediante o empréstimo da carteira de identidade. Quem não paga a conta tem o nome exposto em um mural.
Alguns casais revelaram certa preferência pelo Recanto da Praça e pelo Munchen. Outros se distanciam para observar a cidade, de uma das sete colinas, na Univerdecidade. Nos condomínios fechados se vê a fumaça e as gargalhadas, que marcam a realização dos churrascos onde, de fortes laços de amizade, nasce a irmandade.
Os vendedores de lanches rápidos costumam lucrar razoavelmente bem nas noites das grandes festas. O cachorro- quente, rápido e principalmente barato (vendido até por R$ 0,50) atrai os famintos saídos das festas. Daí trabalharem até muito tarde. Como disse um dos vendedores, Marcos, "nossa festa começa depois das festas".
De outro lado estão os guarda-noturnos, as prostitutas, os travestis, os gays, os andarilhos e a polícia garantindo que a noite não é só festa, mas trabalho duro. Num duelo de cão e gato, "craqueiros" roubam sons de carro, roupas dos varais e o que puderem carregar, movidos pela ânsia que a droga causa. Por sinal, o crack, droga das mais devastadoras, figura entre as mais utilizadas na noite de Uberaba. Tonhão, um dos mais experientes e presente em todas festas, de olhos fundos e intranquilos, afirma já ter furtado mais de 20 toca- fitas em uma noite, levantando quantias próximas de R$ 200.
Gastou todo o dinheiro com a droga. A maior parte do capital que adquirem é proveniente do furto ou do (des)serviço de vigiar carros. Ele disse que os viciados são impacientes e não fazem como ele: "Não fico indo e voltando no traficante, major! Junto a grana para pegar uma quantia maior de uma só vez". Para depois revelar, com naturalidade, que nunca se satisfaz da "pedra". O barulho de uma carro lhe chama a atenção: pode ser a polícia, pode ser um playboy procurando droga ou até mesmo sexo. "Falou, major!"
 

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