Na terra do Zebu, quem tem chifre é rei

Tratadores garantem maiores lucros aos criadores


Leonardo Boloni
7 período de Jornalismo
Alessandra Mendonça
6 período de Jornalismo


Neste mês de maio, na cidade de Uberaba, quem brilha nas passarelas pesa mais de 50 arrobas. Depois do anúncio do leiloeiro, as cortinas se abrem e entra na arena um belo exemplar da raça zebuína. Os holofotes se direcionam para o animal, atraindo as atenções e suscitando lances cada vez mais altos da platéia, composta por fazendeiros, que entre um uísque e outro, avaliam a postura do animal e o lote a ser negociado.

Até o grande dia, quando será comercializado, o boi ou a vaca passa por uma série de preparativos e avaliações. São quesitos fundamentais que começam com a hereditariedade do animal passando pelo tratamento que é dispensado pelo seu dono, e concluindo com um bom currículo de premiações em exposições anteriores, para assim, garantir uma boa venda. "O animal tem que preencher todos os requisitos ideais para o padrão da raça, sejam as qualidades genéticas, raciais e econômicas, podendo ser considerado um animal de elite. São animais que geralmente conquistam os campeonatos, e a cada prêmio conquistado, eleva seu valor de comercialização", explica o médico veterinário, criador e um dos jurados da ABCZ - Associação Brasileira de Criadores de Zebu, Arnaldo Manoel de Souza Machado Borges.

Antes de chegar à pista, é feita uma prévia para avaliar a genética, o pedigree e a origem do animal. Nesta mesma avaliação, os organizadores buscam uma uniformidade do lote, observando a pelagem, a idade e a qualidade. "Durante o julgamento, além do desempenho e postura na pista, outro fator que eleva o valor do animal é a cria ao pé (vaca acompanhada do bezerro), pois ela dá garantia da qualidade do animal como matriz", diz o jurado.

Os lances podem chegar até centenas de milhares de reais, como foi o caso da vaca Moça TE, comercializada por R$ 700 mil, divididos em 14 parcelas de R$ 50 mil. Dos 35 leilões realizados, foram movimentados, aproximadamente, R$ 32,9 milhões conforme infor-mações divulgadas no site da ABCZ.

Os cuidados dispensados para manter um animal como este, que vale uma fortuna, vão desde o carinho, à dedicação quase que exclusiva. O tratamento também implica em noites em claro, quando a cria manifesta qualquer sintoma de doença. A responsabilidade de quem cuida pode ser comparada com a de quem transporta uma maleta cheia de dinheiro. Pessoa com tal perfil, não é nenhum executivo, mas sim o tratador, o empregado da fazenda do dono do gado. A ele, cabe as tarefas de dar banhos, tosar, servir uma alimentação balanceada, e manter um cuidado rigoroso com a saúde. O trato com os cascos é feito por um profissional a parte, o casqueador.

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