Índios e sem-terra estão na periferia

Manifestações de sem-terras e índios chamam a atenção de alunos em Campo Grande


Ricardo Bavaresco
Priscila Magalhães
6 período de Jornalismo

Desde a descoberta do Brasil, os índios sofrem com a exclusão. A maioria das tribos foram dizimadas, principalmente pela transmissão de doenças pelos brancos. Outros foram simplesmente despejados de suas reservas ou mesmo abandonaram seus territórios para copiar o modo de vida urbana. É o caso dos índios terenas e guarinis kaiowa que passaram a viver na periféria de Campo Grande, capital do estado de Mato Grosso do Sul.
No início de setembro, alunos e professores da Universidade de Uberaba participaram na capital sul-matogrossense do Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Paralelamente ao evento, foram realizadas duas manifestações. Uma delas foi do movimento dos sem terras (MST) e a outra dos índios terenas. Ambos estavam lutando pelos seus direitos, por não serem respeitados.
O movimento dos "sem terra" usou seu tradicional método de invasão. Os trabalhadores ocuparam o prédio da Delegacia Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), onde ficaram acampados durante dois dias, até serem recebidos pela diretoria administrativa para discussão sobre novos assentamentos, liberação de recursos para custeio agrícola e de equipamentos para os assentamentos existentes.
Já o índios terenas fizeram protestos contra a Prefeitura, para que recebam ajuda, explicou o cacique Calixto Francelino, que é presidente de um bairro cujos moradores em sua maioria são de aldeias existentes no Estado.
Descaso
Mesmo depois de vários protestos feitos pelos índios, a Secretaria de Turismo de Campo Grande não permitiu que os terenas tivessem acesso ao Memorial Indígena, que está caindo. Segundo o cacique Calixto Francelino, a estrutura está despencando porque não foram os índios que construíram a obra. "O homem branco não tem as técnicas e nem a prática na construção indígena", declarou.
Calixto Francelino ressaltou que o bairro indígena só foi construído graças a parceria com a Rede Globo, dentro do Projeto Brasil 500 Anos. A vila é constituída de 180 casas e uma escola, onde os índios recebem a educação dos brancos e cultivam suas tradições.
Um dos maiores problemas encontrados no bairro é a influência das pessoas que não respeitam as tradições indígenas. Até mesmo ali, as invasões existem. Uma das principais é por parte das diversas religiões, que estão sempre atrás de novos fiéis. Outra bem mais grave é dos comerciantes, interessados em explorar bares e levar os índios ao alcoolismo.
Calixto fala que o bairro já não é o mesmo, pois virou ponto turístico da cidade e toda hora aparecem novas pessoas, para tirar o sossego da comunidade, pois ficam andando de carro e com isso trazem perigo às crianças.
No bairro Marçal de Souza, onde residem cerca de 900 índios terenas e 10 guarani kaiowas, a insatisfação é geral, pois a cultura indígena está sendo apagada pelo homem. Eles são ainda descriminados por causa da raça e não conseguem emprego, chegando até mesmo a passar fome, denunciou o cacique Calixto, revelando que se a atual situação continuar a cultura indígena naquele bairro acabará.

 

 

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