Os
manifestantes demonstraram à população, após
os desfiles da Independência, toda a indignação
com a atual política neoliberal
Margarida
Ribeiro de Sousa
6 período de Jornalismo
Eu grito,
ele grita, nós gritamos. Às vezes por dor, medo, raiva,
para que o outro nos ouça e, principalmente, as autoridades.
Em determinadas situações, o grito passa a ser a única
e a última reação humana. Foi isso que fizeram
dezenas de cidadãos excluídos no último dia 7 de
setembro em todo o país. Eles participaram do 7¼ Grito dos Excluídos,
manifesto promovido anualmente pelas pastorais sociais da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), apoiados por entidades e movimentos
comprometidos com a luta pela dignidade humana.
Em Uberaba, o Grito foi dado logo depois dos desfiles da Independência
do Brasil, na avenida Leopoldino de Oliveira. Uma das organizadoras
do evento, a diretora do Educandário Menino Jesus de Praga, irmã
Sueli Borges, explica que a manifestação é fruto
do descontentamento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Centro
de Estudos Bíblicos (CEBI), Comissão dos Direitos Humanos,
Partido dos Trabalhadores e sindicatos, com o cenário de exclusão
social e a falta de uma independência real do país. "Propomos
uma reflexão sobre a independência e a soberania nacional,
tendo em vista o contexto da cidade", afirma.
A organização do Grito dos Excluídos mostrou à
população a situação das 400 famílias
acampadas na área Estrela da Vitória, no bairro Planalto,
e dos 900 moradores do Residencial 2000. A opção por esta
causa foi conseqüência de uma análise das variadas
formas de exclusão, com a conclusão de que o problema
social mais gritante é a falta de moradia que vem gerando uma
crescente miserabilidade, assolando a vida de tanta gente.
De acordo com Maria Emereciana, da Comissão de Direitos Humanos,
a densidade maior de exclusão em Uberaba está no conjunto
Uberaba, Novo Horizonte, Jardim Metrópole, corredor Pedro Lucas,
Residencial 2000, assentamento Estrela da Vitória e outros. São
lugares em que o grito dos moradores clamam fortemente por Justiça
e por dignidade.