Trabalho voluntário
Empresário condena comercialização

Presidente do grupo Dpaschoal alerta que as empresas não devem se utilizar do trabalho voluntário como comércio.

Renata Thomazini
7 período de Jornalismo


As luzes se apagam. A platéia aguarda ansiosa a abertura da palestra que será proferida com o tema Voluntariado. Nesse momento, abrem-se as cortinas e as componentes do grupo do Centro de Apoio, Diagnóstico, Orientação e Pesquisa em Educação Especial (Cadopee), órgão da Secretaria Municipal da Educação de Uberaba, executam, em silêncio, o Hino Nacional. Através da linguagem de sinais, as mãos vestidas de branco dançam a cada frase. O público se emociona e depois, as artistas encenam o significado da amizade, ao som da música "Canção da América", interpretada por Milton Nascimento.
Foi nesse ritmo descontraído e tocante que o presidente do grupo Dpaschoal, Luís Norberto Pascoal, representante do Comitê Estratégico da Organização das Nações Unidas (ONU), criado no Brasil em prol do voluntariado, deu início ao seu testemunho, como ele mesmo o chama. Na presença de estudantes de Administração e Economia, de empresários da cidade e representantes da Prefeitura Municipal, o empresário fez questão de dizer que, para um país crescer é necessária a união de todos os seguimentos em busca de um só objetivo: o de garantir a igualdade social em toda a nação.
E como fazer isso? Segundo Luís Norberto, a partir do momento em que as pessoas passam a ver os problemas da comunidade como seus, elas deixam de ficar inertes. É nesse instante que entra a responsabilidade social. Todos, segundo Luís Norberto, são capazes de realizar grandes mudanças, basta que se comece. É importante a conscientização de que, tudo que se faz em prol dos outros não é uma obrigação e sim uma satisfação. "Quando a gente se lembra de algo que fez em favor de outra pessoa, a nossa alma sorri," diz.

A opção
"Não se pode obrigar as pessoas a serem voluntárias". Essa é uma das afirmações que Luís Norberto quer que as pessoas compreendam. Segundo ele, quando uma empresa cria um ambiente em que o funcionário acaba se sentindo obrigado a participar de programas envolvendo voluntariado, não há mérito no trabalho realizado. É importante o apoio dos empresários às causas beneficentes, assim como deixar o funcionário à vontade para decidir se ele quer ou não ser um voluntário. Contudo, "aproveitar-se disso a fim de conseguir promoção em favor da empresa é condenável", diz Luís Norberto. A expressão Voluntariado Corporativo não existe para ele. "A empresa não pode ser voluntária. Esse é o papel do cidadão", afirma.
O palestrante conta que sua empresa, a Dpaschoal, cometia o erro de realizar ações filantrópicas sem divulgá-las. O receio era de que isso fosse entendido como demagogia. Mas, em 1998 eles perceberam o quanto poderiam ampliar o trabalho social e começaram a falar sobre o assunto na imprensa. Além disso, buscaram parcerias para projetos, como o lançamento de cartilhas para crianças falando sobre voluntariado e educação no trânsito. A Perdigão é uma das empresas envolvidas com esse tipo de ação. Em uma parceria com a Fundação Educar, mantida pelo Grupo Dpaschoal, ela lançará 150 mil exemplares de uma cartilha sobre o tema Água é vida. "Nós observamos que, enquanto o país estiver em desequilíbrio na área de educação, – onde alguns têm acesso aos estudos e outros nem chegam a completar o primeiro grau –, o Brasil não poderá ser uma nação realmente forte", explica Luís Norberto.

 

Alianças fazem a força


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