Delegada vence o Preconceito

Claudinei Honório
7 período de Jornalismo


Uma mulher que na década de oitenta resolve optar por uma profissão até então dominada apenas pelo sexo oposto, chamou a atenção da sociedade uberabense. Sandra Mara Wazir, 41, era a primeira delegada mulher a assumir a também pioneira delegacia de trânsito da 15» Delegacia Regional de Polícia.

A hereditariedade de Sandra já anunciava que ela seria diferente para os padrões da época. Do pai ela herdou o sangue libanês e da mãe o austríaco. Viveu uma educação rigorosa mas ao mesmo tempo aberta para o diálogo. Desde cedo aprendeu a dar importância aos valores humanos. O passo para o conhecer o mundo veio um pouco mais tarde. "Quando nós fomos para o mundo já estávamos preparados", completa ela.

Ela é a mais velha dentre os cinco filhos. Com uma diferença de idade muito pequena entre todos, apenas três anos, a união predominou na criação do quinteto, já que a natureza colaborou: quatro entre os cinco, são gêmeos.

Sandra Mara passou a infância na cidade de Conquista (MG), onde a família morava. Mesmo sob o rígido olhar do pai e a austeridade da educação na escola de freiras, ela encontrava tempo e espaço para as molecagens. "Eu era moleca de rua, brincava no rio, coisa que hoje as crianças não fazem" relembra.
De menina travessa veio a adolescência tranquila, sem rebeldia. Aos 15 anos, Sandra começou a namorar, mas sempre com alguém da família junto. Aos 16 anos terminou o segundo grau e veio para Uberaba dar continuidade aos estudos. Fez Biologia, logo que terminou, com 20 anos, percebeu que sua grande paixão era Direito.

Sandra deixou a biologia de lado e começou a fazer Direito. "Sempre gostei de ajudar e o Direito me dava uma visão de mundo muito maior". A paixão pelo Direito Penal estava selada e ela decidiu que seguiria o seu sonho e um dia seria delegada de polícia.

A escolha não foi fácil, pois quando se formou em 84, ainda existia um grande reflexo da ditadura. Prestou concurso em 85 e foi aprovada para promotora e delegada. Optou pelo mais polêmico para uma mulher. "Essa fase foi muito difícil, pois de 80 aprovados a única mulher era eu" relembra. Sandra partiu para Belo Horizonte onde receberia todo o treinamento para se tornar delegada de polícia.
Nesta época ela conta que teve que passar por muitas provações, o preconceito pela sua profissão era presente até mesmo dentro da própria casa e com os amigos. Mas nada a desanimava e com o tempo conseguiu mostrar que a sua escolha era normal.

Sandra sabe que é uma profissional de respeito e lida com todas as situações. "Costumo dizer que quando estou na delegacia eu sou a Dr. Sandra, quando saio de lá e estou com meus amigos e familiares sou a Sandra". Ela não brinca em serviço, se estiver na rua mesmo não trabalhado e acontecer algo de errado ela toma todas as providências. "Já tive que usar força física para impor minha autoridade em operações nas ruas, pois os bandidos não davam credibilidade para uma mulher exercendo um cargo que para muitos era de homem", disse.

O casamento e a chegada do filho
Em 91 Sandra que estava morando em Belo Horizonte resolveu voltar a Uberaba. Estava sozinha há algum tempo, pois tinha terminado um relacionamento de oito anos. Em 92 conheceu o promotor Alci Arantes em uma palestra no fórum. Foi amor a primeira vista. Três meses depois os dois estavam se casando.

Dois anos se passaram e ela deu a luz ao único filho, Alci Júnior Arantes, 8 anos, que nasceu de uma gravidez tumultuada. Ela estava gravida de gêmeos, mas acabou perdendo uma das crianças.
Apesar de ser filho único, Sandra procura passar todos os valores da vida para o garoto. A rigidez também faz parte da educação."Nem tanto como foi a minha, mas tenho que ensinar o que é certo". Apesar das dificuldades, ela conseguiu conciliar o trabalho com a criação do filho.

Sandra diz como é ser mãe: "é ter muitas responsabilidades, passar por dificuldades, ser mãe é ser tudo, pois qualquer mãe daria o mundo pelo filho".

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