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Deficientes
devem ser tratados como iguais
Oportunidades
de trabalho, escola, melhoria dos acessos e no transporte foram algumas
das necessidades apontadas pelos deficientes durante o Seminário
de Políticas Públicas de Uberaba
Wesley Jacinto
6 período de Jornalismo
Na maioria das vezes,
as pessoas com deficiência são tratadas diferentemente das
outras, sofrem com os preconceitos e são privadas de suas liberdades.
Isto porque a sociedade os encara como seres diferentes dos outros. Tudo
isso, sem contar às dificuldades enfrentadas para ter uma vida
mais digna. Foi com o objetivo de canalizar as discussões sobre
a estrutura pública municipal, que a Secretaria do Trabalho, Assistência
Social, da Criança e do Adolescente (Setas) promoveu um momento
de reflexão sobre o processo de inclusão social das pessoas
deficientes, no último dia 30 de agosto, em Uberaba.
O Seminário de Políticas Públicas ocorreu durante
todo o dia, nas instalações do Hospital Veterinário,
com a presença dos deficientes e de convidados.
Deficientes conquistando
o espaço
Elizabete Dias de Sá, membro do Conselho Municipal de Defesa dos
Direitos da Pessoa com Deficiência de Belo Horizonte. Ela, que é
deficiente visual, falou sobre o trabalho desenvolvido pelo conselho em
benefício dos deficientes da capital do Estado.
Elisabete salientou que seu conselho obteve várias conquistas em
propor leis para defender e até mesmo valorizar essas pessoas.
Ela explicou que o órgão tem papéis fiscalizador
e deliberativo, acompanhando as ações governamentais, com
a capacidade de avaliar e apontar soluções para os assuntos
relacionados com as pessoas deficientes. O conselho é formado por
40 conselheiros, sendo organizado em segmentos, o que facilita o atendimento
às pessoas que possuem os diversos tipos de deficiência.
O vereador Noé Maia, deficiente físico desde os 11 anos
de idade, vítima de uma artrite reumatóide - espécie
de reumatismo - disse que a pessoa deficiente enfrenta vários problemas
em Uberaba. Ele ressaltou que a Setas realizou e vem realizando muitas
benfeitorias em favor do deficiente físico, como a criação
da Coordenadoria Municipal de Apoio e Assistência à Pessoa
com Deficiência (Caade) e o rebaixamento de guias nas ruas da cidade.
Apontou, ainda, que os deficientes sofrem com a falta de capacitação
profissional decorrente da própria falta de cultura.
Gilmar Ribeiro Lima, deficiente físico há mais de 5 anos
em consequência de um acidente automobilístico, afirmou que
enfrenta várias dificuldades no dia-a-dia, como o uso de meios
de transportes. Os ônibus do transporte coletivo de Uberaba não
possuem adaptação e muito menos elevadores. Só o
veículo da Assossiação dos Deficientes Físicos
de Uberaba (Adefu) possui esse recurso. Gilmar diz que foi feito um requerimento
para a empresa responsável pelo transporte urbano e sua direção
está estudando um meio para facilitar o acesso dos deficientes
ao serviço.
Desafio: barreiras
arquitetônicas
Outro problema enfrentado por eles na cidade são as barreiras arquitetônicas,
que tornam mais difícil o ir e vir dos deficientes. Gilmar comentou
que só as rampas não facilitam o acesso deles aos locais
que necessitam. Para ele, o preconceito e a discriminação
são tabús a serem quebrados, em grande parte dificultados
pela falta de trabalho, para uma vida mais digna. "Os preconceitos
são tantos que muitos deficientes não saem de casa",
revelou.
Marília Moraes Palis, presidente da Associação Mineira
de Equoterapia, declarou que o seminário foi importante, para se
ter conhecimento da política municipal no contexto de recursos
financeiros, habitacionais e também dos direitos assegurados para
as pessoas com deficiência. Dentre as propostas estão o combate
ao preconceito, a concessão do passe livre para o acompanhante
das pessoas deficientes, a construção de mais rampas e a
inclusão dos deficientes nas escolas e no trabalho.
A coordenadora do Caade, Fernanda Roquete Andrade, afirmou que a Setas
vem realizando vários projetos em favor dos deficientes, como a
implantação do transporte especial, o atendimento de casos
especiais, além de atividades esportivas como basquete e natação.
Também, dá apoio às instituições que
prestam serviços a eles. Ela ressaltou que a Secretaria tem a responsabilidade
de coordenar e sistematizar a política pública de atenção
ao deficiente.
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