Escravas
da Pedra
Crack
leva menores de idade ao roubo e prostituição
Gilberto Lacerda Rodrigues
4 Período - Jornalismo
A prostituição infantil tem sido um dos principais temas
discutidos no últimos anos. Os paises em desenvolvimento são
os que mais sofrem com este problema. As classes C e D são as
mais atingidas. Vários são os motivos que levam as pré-adolescentes
a venderem o próprio corpo. O principal deles é sem dúvida
a droga conhecida como crack.
O Crack é uma mistura de várias substâncias viciantes.
Uma variação muito forte de cocaína e heroína.
Causa imediata dependência química aos seus usuários.
Em Uberaba muitas jovens com idade entre 12,13 e 14 anos já fizeram
uso dessa droga. Para conseguí-la geralmente várias meninas
têm que vender o corpo. C.T.A. tem 13 anos e há um ano
e meio é dependente da pedra, como ela mesma costuma chamar o
crack.
Segundo a garota tudo começou por influência de uma amiga.
Essa amiga era uma das muitas "concubinas" de um traficante.
A primeira vez que fumou sentiu o que os viciados chamam de baque. Uma
forte dor de cabeça. Precedida de náuseas consequentemente
vômitos sucessivos. Pensou em nunca mais usar, mas a influência
do grupo falou mais alto e em pouco tempo se viciou.
Preço alto
A droga é cara. Cada pedra custa de cinco a 10 reais. O preço
varia de acordo com o tamanho. Manter o vício não é
fácil. A garota de 13 anos conta que no princípo ela comprava
a pedra com o dinheiro dado pela família. Esse dinheiro passou
a não ser suficiente com o passar do tempo. Para saciar o vício
crescente começam a furtar pequenos objetos da família,
como sons e CDs. C.T.A. conta que chegou ao extremo de furtar uma televisão
que a mãe nem terminara de pagar.
Para o traficante, aparelhos como rádio, TV, utensilios domésticos,
bicicletas entre outros, servem como moeda de troca, só que valem
menos do que dinheiro. Um rádio com toca CDs furtado vale cinco
pedras. C. "fumou a TV de sua mãe em três dias. Passado
pelo período de furtos familiares, o próximo passo do
viciado é o roubo, na maioria das vezes à mão armada.
Alguns utilizam armas de verdade, outros réplicas, pois são
mais baratas.
O assalto rende mais dinheiro que o furto familiar, mas é muito
mais perigoso. Algumas amigas pegas pela polícia foram levadas
ao coneselho tutelar de proteção ao menos e ao adolescente.
Depois de um longo e burocrático processo, foram encaminhadas
a uma casa de assistência ao menor infrator. O próximo
passo da menor viciada é a prostituição. Segundo
elas é mais fácil e menos perigoso do que o assalto.
O dia de trabalho das menores começa no período vespertino.
Por volta das quinze horas, pois deitam tarde e dormem mais de nove
horas por dia. A BR 050 é o local preferido das meninas.
Os caminhoneiros estão entre os seus principais clientes. O programa
na maioria das vezes custa cinco reais, com sorte dez. Todo dinheiro
é cosumido na pedra. Não compram preservativos para o
programa, a pedra é mais importante, se o caminhoneiro tem usa,
caso contrário fazem sem nenhuma proteção. C.T.A.
sempre compra a pedra no final da tarde. Não precisa ir até
a boca de fumo. Um aviãozinho entregador - do traficante
leva até o cliente.
O dinheiro na maioria das vezes só dá para duas pedras.
É pouco. Quer mais. Para isso faz uma permuta com o entregador.
Ganha mais uma pedra pelos serviços prestados.
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