Cozinha
à Lavoisier
Pai
da Química é inspiração para restaurantes
uberabenses
Fernando Machado
4 período de Jornalismo
Enquanto milhares de pessoas passam fome, em Uberaba, quilos e quilos
de comida são jogados diariamente no lixo. Como resolver esse
paradoxo? Poucos proprietários de restaurantes parecem preocupados
em dar sua contribuição no combate à fome. Os que
têm essa preocupação enfrentam o problema do transporte
da comida, que deve ser feito seguindo os critérios da Vigilância
Sanitária. Fazer isto implica em gastos que na maioria das vezes
o doador não pode ou não se interessa em custear.
De outro modo, se alguém passa mal com a comida a responsabilidade
é do restaurante que a forneceu. Ou seja, não basta apenas
a boa intenção. Se não são tomadas as precauções
devidas, o restaurante pode acabar tendo o seu nome ligado à
má qualidade alimentícia, além de se tornar alvo
de investigações mais sérias do órgão
responsável.
É certo que os problemas da fome, da violência pública
e outros males sociais recebem, devido a ineficácia do Estado,
contribuições de pessoas preocupadas com as questões
sociais. Essas medidas têm sua relevância, seu valor humano,
mas com-batem os efeitos e não a causa real do problema.
Luís Carlos Ro-drigues da Cunha, dono do Center-Lanches, restaurante
localizado na praça Rui Barbosa, afirma que todos os dias fecha
o restaurante, às 14h, para os clientes. O que resta dos alimentos,
ele serve as vasilhas deixadas pelos pedintes, colocando uma quantidade
que julga ser suficiente para aquele dia. Segundo ele, os funcionários
também podem levar a comida, caso desejam.
Já os restaurantes da Praça e Balão, ambos de Valter
Ferreira Souza, "não adotam políticas paternalistas".
Tudo o que sobra vai para o lixo ou vira lavagem para os porcos. "Temos
preocupações, sim, com a questões sociais, mas
entendemos ser dever dos órgãos pú-blicos, e não
dos res-taurantes, tentar solu-cioná-las". O gerente da
churrascaria Ro-deio, Leandro Capoli, afirma que tudo o que sobra é
levado por um criador de porcos e vira lavagem. A churrascaria Boi Bão
também não tem o costume de doar a comida que sobra, apenas
eventualmente a comida é dada a algum mendigo.
O resto da comida do Restaurante Universitário também
é utilizado na alimentação de suínos. Não
obtivemos informações na churrascaria Cupim Grill, no
Parque Fernando Costa. "Não quero falar sobre comida",
argumentou a proprietária do restaurante.
Para quem não sabe, alguns restaurantes adotam o pensamento lavoisierano,
segundo o qual nada se perde, tudo se transforma. Se você sentir
alguma familiaridade com a comida, não estranhe, pois o picadinho
que você come hoje pode ter sido o bife de ontem e poderá
ser o suculento estrogonofe de amanhã. O feijão de caldo
pode se metamorfosear em um tutu mineiro. E a origem dos bolinhos de
arroz, quem diria, está no arroz do dia anterior.
Joaquim Humberto Martins, dono do resturante Joakinkas, diz que
quando não tem mais jeito a comida é dada a um criador
de porcos, mas antes disso, o que sobra é recongelado ou então
imediatamente reaproveitado, transformado em outro prato.