Convite inesperado

Visita ao 4 batalhão de Polícia Militar torna-se experiência repleta de surpresas

Rodolfo Rodrigues
5 período de Jornalismo

Um convite inesperado me chegou por Alzira, supervisora da Central de Comunicação da Universidade de Uberaba: se referia a comparecer ao 4 BPM (4 Batalhão da Polícia Militar - Uberaba) às 8h30 da manhã do dia seguinte. Este estendia-se a alguns outros alunos de outros períodos de Jornalismo.

Uma caminhada de mais ou menos 15 minutos e chego à casa de Alzira, já atrasado – Atrasar logo com a PM, Júnior?! - brincou Alzira. Seguimos em direção ao bata-lhão, conversamos durante todo o per-curso, na maioria das vezes falamos de besteiras e de assuntos particulares. (Melhor não citar!)

Chegamos ao BPM por volta das 9h10. Lá estavam Diovana, Rafael e Alécio, também alunos do curso de Jornalismo, que aguardavam sentados e ansiosos, até nervosos com o nosso atraso. Ao chegarmos fomos de imediato recepcionados pelo Cap. André e Sérgio, assessor de Comunicação do 4 BPM.

Nos apresentaram minuciosamente toda a infra-estrutura do recinto. Ao chegarmos à sala do Comandante, juro que nada ouvi das explicações de André e Sérgio, minha preocupação foi descobrir quem eram os homens que se encontravam em quadros dependurados atrás da mesa principal da sala. Todos Comandantes de outras épocas de várias gerações, li nome por nome, não encontrei parentescos nem sequer conhecidos. Após isso deleitei-me com a paisagem que se tinha do gabinete – a rua de fronte ao BPM, toda ladeada por lindas palmeiras imperiais.

A visita continuou e tudo se tornava interessante e diferente, afinal onde estavam aqueles grandes, maldosos e truculentos militares, pichados pela TV ou por populares, civis, que tanto se amedrontam ao vê-los? Ao contrario do que imaginava e procurava, só encontrei educados e agradáveis militares.

Uma sequência de salas e departamentos nos foi apresentada, conhecemos outros miitares (cabos, soldados, tenentes, capitães, etc). Ah! A melhor hora foi a visita que fizemos ao canil – lindos cães todos adestrados. Soubemos que a vida útil de um cão tem uma média de oito anos, para os serviços no BPM.

Então foi a vez dos cães mostrarem o que sabiam ou o que estavam aprendendo e fazendo por nós, cidadãos. Pediram um voluntário, me prontifiquei de imediato. As instruções foram: fique parado com as mãos na cabeça, não demonstre medo e não se mova de maneira alguma. Então, colo-caram uma arma de plástico na minha cintura.

Obedeci os co-mandos até ver aquele cão pastor alemão, imenso e com uma boca cheia de dentes vindo em minha direção; perdi os sentidos do raciocínio e me movimentei bruscamente, só conseguia ver aquele cachorro me pegando nas partes baixas. O cão reagiu ao meu movimento tentando me abocanhar, mas felizmente os comandos ensinados aos cães são e foram eficazes, pois em um comando de voz o cão se afastou e não me abocanhou. Fiquei gelado, fingi ser forte e não ter sentido medo, fomos embora do canil e fiquei muito aliviado.

Agora era a vez de conhecermos o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar). Lá é que eles recebem todas as nossas reclamações via 190, lá também funciona todo o aparato tecnológico da Polícia Militar. Ficamos "horas" diante de alguns mapas da cidade legendados com alfinetes coloridos, onde podíamos ver todos os crimes, furtos, estupros e tentativas de algum desses. Apesar de triste a situação de saber que acontece esse tipo de coisa em nossa cidade, nos divertimos muito procurando nossos endereços e sabendo o que havia ocorrido em nossas ruas desde o início do ano. Deram-nos informações de como são baixos os índices de violência em nossa cidade em relação a outras de mesmas dimensões.

Para fechar com chave de ouro esta nossa visita, onde eu entrei quase que de penetra, fomos assistir ao ensaio, que estava mais para show, recital, evento, baile ou festa, da Banda da Polícia Militar. A maestria dos instru-mentistas me arre-piou, marejou os meus olhos de lágrimas e emocionou a todos que viam tantos talentos. Primeiro tocaram um dobrado de um compositor mineiro, ainda vivo, depois tocaram um pout pourri de John William, compositor de trilhas de filmes como: ET, Guerra nas Estrelas e muitas outras. Finalizando tocaram uma bela e sofisticada seleção de Choro. A única raiva que tive foi a de não ter dinheiro naquela hora para comprar o CD da Banda que estava a venda, aliás está – É, eles são tão bons que já têm até CD gravado!

Nosso dia de visita no 4 BPM terminou em grande estilo: nunca havia sido recebido em lugar algum por uma Banda, despedidas formais e a promessa de um certificado de visita ao BPM, da nossa parte uma promessa de publicar no Revelação uma crônica sobre um dia de visita a um Batalhão de Polícia.

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