Anjos
que curam a dor

Voluntários
ajudam na humanização do tratamento hospitalar
Verônica Fernandes Siqueira
7 períodode Jornalismo
Os hospitais estão
deixando de ser locais tristes e de dor para serem locais de recuperação
e esperança. Uma mudança na filosofia do tratamento hospitalar
aliada ao trabalho de voluntários está dando um novo rumo
ao relacionamento entre paciente e hospital, tornando-o menos frio e
mais humanizado. O resultado conquistado com esta mudança está
na recuperação mais rápida dos doentes.
Um exemplo claro desta humanização pode ser verificado
no Hospital da Criança, em Uberaba. Médicos e doentes
têm uma convivência mais aberta e feliz, tornando o ambiente
menos hostil. A queda da hostilidade não pode ser atribuída
somente à simpatia do corpo de médicos, enfermeiros e
funcionários do hospital. A respon-sabilidade é dividida
também com os "Anjos Voluntários", nome dado
às pessoas que voluntariamente trabalham levando alegria aos
internos.
Este trabalho tem como prioridade deixar a criança mais próxima
de sua realidade promovendo brincadeiras que incentivam o relacionamento
com outras crianças com a mesma patologia. Os internos são
incentivados ainda à leitura como ingrediente para passar o tempo,
assistem a filmes e apresentações teatrais.
O trabalho voluntário começou com Maria Rita Carniel de
Melo quando ela se deparou com um momento de dor, diante do problema
enfrentado pelo filho. "Meu filho precisou fazer uma cirurgia de
hérnia. Ele queria brincar e não tinha condições,
não tinha nada para fazer e a hora não passava".conta.
A vontade de fazer uma criança sorrir nasce nesse momento. "Eu
precisava fazer algo para amenizar a angústia do meu filho. Pensei
que igual a ele, outras crianças também passavam por aquele
mesmo problema", relembra Maria Rita.
Depois dessa experiência ela se candidatou como voluntária
do Hospital da Criança. Mais tarde, Maria Rita recebeu convite
do médico cirurgião, Fernando Pimenta, para continuar
no trabalho de humanização do hospital. Nenhuma mãe
gosta de ver um filho doente e no hospital há sempre um voluntário
disposto a conversar, fazer companhia, ou confortá-lo naquele
momento de tristeza. Os voluntários ajudam também com
distribuição de roupas, calçados, fraldas e outros
suprimentos para crianças que vêm de foram em busca de
tratamento.
Hoje, o quadro dos Anjos Voluntários conta com atores de teatro,
professora de educação física, empresária,
funcionária pública e estudantes. Os médicos atestam
o quanto que as crianças e as mães ficam mais calmas após
a visita dos voluntários. Para a médica Claudia Amourin
Ribeiro é fundamental a participação dessas pessoas.
A artista Ana Claudia dos Santos tornou-se voluntária após
assistir uma entrevista de Maria Rita. "Fui conhecer o trabalho
e no mesmo dia, era uma voluntária". conta a artista. Para
ela o bem maior é feito para ela mesma. "Quando entramos
nos quartos as crianças estão tristes, imediatamente com
a nossa presença, elas abrem um grande sorriso. Esse é
meu maior ganho". diz Ana.
A hospitalização pode desenvolver na criança apatia,
falta de apetite, medo, culpa, agressividade e agi-tação.
Assim, a inter-venção do Terapeuta Ocupacional pode ser
voltada para esses aspectos, de modo a resgatar o papel da criança
e sua participação através de brincadeiras. Para
a Terapeuta Maria Fernanda Oliveira é extremamente importante
a participação da família no processo de aceitação
da criança ao problema que está passando.
A busca maior da terapia é fazer com que a estadia no hospital
não limite as crianças. "A humanização
hospitalar e o trabalho em equipe contribui com o tratamento da criança,
uma vez que os profissionais estão em harmonia e dispostos a
tratá-la em seu todo, contemplando um bem estar bio-psicossocial",
avalia Maria Fernanda Oliveira.
Maria Rita e sua equipe estão elaborando um novo projeto que
visa preparar as crianças para cirurgia e dissipar a imagem que
elas têm do centro cirúrgico. A maioria das pessoas ainda
vê o centro cirúrgico de uma forma agressiva. Este trabalho
segundo Maria Rita é inspirado no livro "Operação
de Lili", de Rubem Alves. Neste livro o escritor descreve o centro
cirúrgico comparando o a uma floresta, os bichos com os médicos,
a luminária com um vaga-lume. "Estamos preparando essa história
criando fantoches e outros personagens. Vamos tentar eliminar o medo
que elas têm da cirurgia", salienta Maria Rita .
Leia
também:
Cidade