Faltam medicamentos no Hélio Angotti
Hospital e voluntários buscam vencer cada batalha desenhada pela crise

Leandro Araújo
4º período de Jornalismo
Barbara Caretta
Atualmente, o hospital atende cerca de dois mil pacientes por mês e o déficit do hospital está em torno de R$3,6 milhões

Solidariedade nunca acaba
Três instituições reúnem voluntários para apoiar o Hélio Angotti.

A Vencer é a mais antiga. Fundada há 11 anos, possui cerca de 150 voluntários ativos e mais de 500 cadastrados. A associação promove eventos para arrecadar fundos e busca de patrocínios para viabilizar a compra de medicamentos, exames, fraldas e até cestas básicas.

A Casa de Apoio Daniele completou nove anos. Foi criada com o intuito de ajudar quem vem de outras cidades. A instituição sobrevive de doações e oferece alimentação e hospedagem aos pacientes em tratamento e seus acompanhantes.

Já o Instituto Boa Fé iniciou suas atividades no ano passado contando com o apoio de empresários. O instituto disponibiliza ainda contas bancárias para doações. Recentemente, o instituto conseguiu visibilidade com a participação do ator Reynaldo Gianecchini nas gravações de uma campanha.

• Vencer (34) 3314 8283
• Casa de Apoio Daniele
(34) 3314 9399
• Instituto Boa Fé
0800 941 1207 (doações de R$7/mês), 0800 941 1215 (doações de R$15/mês) ou 0800 941 1230 (para doações de R$30/mês)


Airton Teixeira, 57 anos, luta contra um tumor no intestino, desde fevereiro, quando passou por uma cirurgia. No mês seguinte, iniciou o tratamento de quimioterapia no Hospital Dr. Hélio Angotti. Ao todo, serão 12 sessões. Até agora, dez já foram realizadas. “Na maioria das vezes, falta medicamento. Quando não é um, é outro. Já precisei voltar para minha casa muitas vezes”, relata Airton, que mora em Unaí, Noroeste de Minas, e está entre os 85% de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Hélio Angotti.

Referência regional em tratamento de câncer, o hospital possui 120 leitos, moderno centro cirúrgico com seis salas e UTI de alta tecnologia com oito leitos. São diversos aparelhos para exames como tomografia computadorizada com extereotaxia, ultra sonografia, cintilografia do miocárdio, raios-X e simulador de radioterapia. A instituição conta com cerca de 182 integrantes da área médica, sendo 102 profissionais de enfermagem e 80 médicos. Apesar dos números, a realidade não é nada otimista.

O presidente do hospital, que há três meses assumiu a direção, Délcio Scandiuzzi, confirma o que disse o paciente Airton: faltam medicamentos. “Os medicamentos são de alto custo e nem sempre o hospital consegue atender à demanda”.

Segundo a instituição, cerca de 2 mil pacientes são atendidos por mês, vindos de, pelo menos, 137 cidades. A verba repassada pelo SUS é definida conforme a quantidade de atendimentos, porém, para cada R$100 gastos, somente R$ 68 são repassados. Há 12 anos, o Sistema de Saúde não reajusta os valores de sua tabela.

Conseqüência das dívidas adquiridas com empréstimos para garantir o cuidado, atualmente, o déficit do hospital está em torno de R$3,6 milhões. A instituição gasta R$ 600 mil por mês somente com a compra de
medicamentos.

A promotora de Defesa da Saúde de Uberaba, Cláudia Alfredo Marques, conta que apenas na sala dela existem sete procedimentos em andamento em função de reclamações de falta de medicamentos. “Procuramos informações com o hospital para negociação de uma solução. Quando não conseguimos resposta imediata, entramos com ação civil pública para resolução do problema”, conta Marques.

O presidente do hospital admite a falta de medicamentos, mas garante que as consultas, cirurgias e exames estão sendo realizados normalmente. Délcio Scandiuzzi enfatiza que está buscando saídas para a crise a partir da mobilização de diferentes grupos. “Estamos fazendo um trabalho com todas as forças da sociedade: ONG’, áreas administrativas federal, estadual, municipal e empresariado”.

Os problemas da instituição só não se tornaram ainda mais graves pela generosidade das equipes de saúde. Quem precisa de tratamento sabe qual o valor de cada gesto no dia-a-dia.

“Pode faltar remédio que eu não deixo de fazer o tratamento aqui porque os médicos são como pais, as enfermeiras sempre sorrindo. Somos tratados como seres humanos aqui”,
finaliza Airton.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2009