MAIS UM FERIADO
Dia da Consciência Negra

Arquivo Pessoal

Em comemoração ao Dia de Nossa Senhora do Rosário, os homens vestem o ‘’terno’’ Congada Minas Brasil e as mulheres o ‘’terno’’ Penacho da Ema

A história do dia 20 de novembro
A data de 20 de novembro, no Brasil, é lembrada pelo dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.

O Quilombo dos Palmares era um reino formado por escravos negros que haviam escapado das fazendas, prisões e senzalas brasileiras. Zumbi se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta pelo seu povo.

Maria Inês Fernandes é líder e incentivadora de projetos afro nas igrejas de Uberaba. Desde 1992, coordena o Coral Afro, que sempre participa das comemorações e eventos na cidade. Em 2002, criou o projeto Pastoral do Negro, na igreja da Abadia.

Segundo ela, o negro não conheceu seus antepassados e nem seu local de origem, o que soa negativo. “Simplesmente foram trazidos e deixados no Brasil.”
Inês afirma que ainda existe preconceito em relação aos negros e que para haver mudanças é preciso maior conscientização, principalmente dos próprios negros.

“O negro precisa se superar e superar os outros para então se impor mais na sociedade”.

Élcio Fonseca
4º período de Jornalismo
Acordar às 5h30 para preparar o café e a marmita, de uma vez só. Essas são as primeiras ações no dia de Marluce Aparecida Caixeta, de 43 anos, auxiliar de limpeza de uma loja de departamentos. Mãe de três filhos, ela declara ser vítima de preconceito por causa da pele negra. “Ainda vivemos em um país completamente racista. Só quem é negro pra saber”, desabafa.

Segundo Marluce, o pior é quando as crianças são discriminadas. “Meus filhos ainda são pequenos, mas já clamaram para mim que foram deixados de lado na escola”.

Um projeto que nasceu com objetivo de valorizar a raça negra foi aprovado pela Câmara Municipal de Uberaba e sancionado no ano passado pelo prefeito Anderson Adauto. A lei declara 20 de novembro como feriado municipal, em comemoração ao Dia da Consciência Negra.

A ex-vereadora Marilda Ribeiro é a autora da proposta. Para ela, não é apenas a comemoração de um feriado, é um dia para que se tenham atividades de resgate da cultura da raça negra. “É um momento para chamar a atenção para o valor da miscigenação de raças e etnias na construção do país”, complementa.

Presidente do Conselho Afro-descendente de Uberaba há cinco anos, Evaldo Alves Cardoso, mais conhecido como Saruca, aprova o feriado afirmando que a sociedade terá um dia de reflexão. “Não vai resolver o problema, mas a divulgação já provoca transformações sociais”.

O presidente do conselho acredita que o racismo está diminuindo, mas dificilmente acabará. Saruca cita o sistema de cotas para negros nas universidades como um caminho. “A igualdade se faz através do conhecimento. O racismo só vai cair a partir do momento em que existir igualdade de direitos entre os povos”, exclama.

O Conselho Afro de Uberaba existe há mais de duas décadas e hoje conta com cerca de 100 voluntários, incluindo assistentes sociais e psicólogos. Eles fazem encaminhamentos médicos e jurídicos, mas têm outra função importante:: promover a integração dos povos por meio de movimentos culturais.

A auxiliar de limpeza Marluce Aparecida já participou das festas do conselho e acredita na integração como forma de barrar o preconceito. Para ela, o racismo não vai acabar por conta do novo feriado, mas acredita que o momento de reflexão é importante. ‘’Tenho fé que meus filhos terão uma vida onde sejam valorizados como todo ser humano, e tratados sem diferenças’’, conclui.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2009