Casa sustentável preserva o bolso e o meio ambiente

Claudio Guimarães
6º período de Jornalismo
A economia em números
O economista Cássio Silveira faz uma simulação do retorno da instalação do aquecedor solar a longo prazo. De acordo com ele, antes da compra é necessário ter conhecimento d a vida útil do equipamento. Considerando 25 anos, o consumidor vai dividir o valor total da compra pelo tempo que quer este retorno.
Cássio faz os cálculos considerando o retorno em cinco anos. “Nós temos que pegar o valor do investimento, que no caso seriam R$2.000, dividir pelo número de meses desse retorno que a família pretende ter, no caso, 60 meses. Ela dividiria R$2.000 por 60 meses, então, nós teríamos cerca de R$33 por mês de necessidade de retorno”, contabiliza.
Para verificar se este retorno está realmente acontecendo, o morador deve comparar as contas de energia. Por exemplo, com uma conta de R$ 180, é preciso verificar se houve redução de, pelo menos, R$33. “Se o valor for R$147 ou menor, significa que essa família irá conseguir retorno do investimento em cinco anos ou até menos que isso. Considerando 25 anos de vida útil do aquecedor e multiplicando a redução de R$33 em cada ano, teremos uma economia de quase R$10 mil”, finaliza.

Integração e aproveitamento dos recursos naturais gerando economia são os princípios básicos da casa sustentável. O termo sustentabilidade está se popularizando na construção civil e não é luxo apenas para obras em fase de projeto. Quem já tem casa, também pode torná-la sustentável.

O arquiteto Marcondes Nunes de Freitas, em maio deste ano, iniciou em Uberaba a construção de sua própria casa, com o máximo de
elementos sustentáveis. Utilizou itens que viabilizam formas de reaproveitar e reduzir os gastos com água tratada e energia.. “A ideia de implantar tais técnicas nas construções é uma maneira de o cidadão colaborar para que as próximas gerações não sofram com questões climáticas e outros problemas naturais”, alerta Marcondes. A construção fica no bairro Estados Unidos e a conclusão está prevista para este ano.

Foram utilizadas telhas específicas para melhor ventilação e controle térmico, ou seja, janelas grandes para aproveitar a iluminação natural e piso frio em toda a casa para manter a temperatura do ambiente agradável. O cuidado está até na válvula de descarga instalada nos banheiros. São dois comandos: um para liberar três litros de água e o outro para seis. A utilização depende da necessidade de fluxo de água. As paredes internas são de aço galvanizado e gesso, sistema conhecido como drywall, especial para substituir as paredes de tijolo.

Na hora de construir, o engenheiro civil Renato Borges Machado recomenda cômodos arejados e com grandes aberturas de iluminação natural para reduzir o uso da energia artificial. É uma forma de colaborar com o meio ambiente e reduzir custos. Para quem já possui a sua residência e quer torná-la sustentável, o enge-
nheiro sugere: “A primeira medida é adquirir o equipamento de aquecimento solar”.
O sistema de aquecimento solar permite deixar quentinha a água do banho, das torneiras e da piscina. A temperatura pode chegar a 40°C. Placas são fixadas no telhado, voltadas para a face norte do terreno, que é a mais ensolarada. O calor do sol captado é transferido para a água, que circula no interior de tubulações de cobre. A água esquenta e vai direto para o reservatório térmico, onde fica aquecida até o consumo.

Segundo Renato, um aparelho de aquecimento solar pode gerar redução de 30 a 40% do valor da conta mensal de energia, já que o chuveiro elétrico é o vilão. O preço de instalação do equipamento varia. Em Uberaba, se paga em média R$2.200. Pela economia que gera, o valor investido pode ser recuperado em pouco mais de três anos.
A dona de casa Eliete Souza Menezes, há dois anos, instalou um aparelho de aquecimento solar. ‘’Quando faz muito frio, sinto que o aquecedor solar não consegue realmente esquentar a água, mas a diferença nas despesas da casa compensa’’, afirma Eliete. Outras alternativa é o sistema de captação de água pluvial.

A água da chuvas cai nas calhas, passa por um filtro e vai para um reservatório subterrâneo. Em seguida, é impulsionada por uma bomba até a caixa-d’água.

Essa água pode ser utilizada para descargas de vasos sanitários, máquina de lavar roupa e principalmente para lavar o chão, o carro e regar o jardim. O valor de implantação do sistema varia de acordo com o tamanho do reservatório. O custo de um reservatório de 5 mil litros é de aproximadamente R$2.500.

O sistema de aproveitamento da chuva representa uma economia de até 60% da conta de água mensal e é recomendado para casas com área de captação (telhado) de no mínimo 100 metros quadrados.

Como as tarifas de água são menores que as de energia elétrica, o valor investido necessita de mais tempopara ser recuperado, ou seja, cerca de cinco anos.


Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2009