Reabilitação com foco humanizado
Curso da Uniube, duas vezes nota máxima n
a prova do Ministério da Educação, prima pelo atendimento humanizado aos pacientes
Neuza das Graças
As atividades manuais têm importância fundamental no desenvolvimento do curso

Kelle Monik de Oliveira
Wilson Ferreira
3º Período de Jornalismo

Eram 7h30 do dia dois de abril de 2002.Maria sai do hotel onde trabalha e chega em casa, no bairro Gameleira II. Não come nada, toma banho e dorme, como centenas de outras vezes antes o fizera na vida. Só que, dessa vez, o que aconteceu foi diferente.

Cinco horas depois de deitar-se, Maria Dalva Babilônia, 68 anos, acorda com o lado esquerdo do corpo paralisado. É levada às pressas ao hospital e diagnosticada: teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) enquanto dormia, embora sem grandes consequências. Fica alguns dias no hospital e, na véspera de receber alta, o improvável acontece: um segundo AVC, ainda mais forte que o primeiro e que deixa grandes sequelas. “Aí eu tentei levantar e não consegui mais”, disse ela.

Dona Maria, como é chamada, é uma entre tantos pacientes que, duas vezes a cada semana, entra com toda sua esperança na clínica de Terapia Ocupacional da Universidade de Uberaba em busca de reabilitação física, psicológica e social. Se obtém resultados? “Graças a Deus”, dona Maria responde.

A Terapia Ocupacional, curso que em 2008 completou dez anos na Universidade de Uberaba - já referenciado duas vezes com o conceito máximo (nota 5) pelo Ministério da Educação - surgiu no mundo na década de 50 para atender a uma necessidade consequente da Segunda Guerra Mundial: reabilitar vítimas de ataques e soldados mutilados. No Brasil, onde há menos recursos tecnológicos para o tratamento, o curso segue por um caminho diferente: o processo de acompanhamento do paciente ocorre pelo prisma da visão humanista, que prevê o tratamento em todos os âmbitos da saúde e ambientes da vida.

O curso atua em duas frentes: a atenção primária, voltada para a prevenção dos problemas e manutenção da saúde e a atenção secundária, que trata da reabilitação e resgate da autonomia do indivíduo para a execução de qualquer atividade humana. Segundo Cláudia Franco Monteiro, professora da Uniube e coordenadora dos estágios na clínica de TO da Universidade, o conceito de cura para o terapeuta ocupacional não reside exclusivamente na solução do problema, mas também em fazer com que o paciente conviva bem com esse problema e possa adaptar-se na realização de todas as suas ações rotineiras, desde atividades da vida diária a tarefas que requeiram consciência política. “Quando a pessoa fala ‘olha, eu tô bem’, isso pra gente é cura”, enfatiza Cláudia. Ainda segundo ela, o tratamento pode englobar todas as faixas etárias - especialmente crianças que tiveram paralisia cerebral e adultos que sofreram AVC, como dona Maria - e pode durar até a completa reabilitação do paciente, seja ela física ou neurológica.

Quem indica um profissional de Terapia Ocupacional são, em sua maioria, médicos. “Já recebemos encaminhamento até de dentistas”, mas o curso ainda é pouco conhecido e pouco divulgado, devido talvez à sua história recente no Brasil e no mundo. “Estamos nos empenhando muito na produção científica para ajudar a popularização do curso. Tudo vira artigo!”, conta ela, sorrindo.

Ainda para ela, o perfil do aluno de Terapia Ocupacional deve ser ousado no sentido de proporcionar ao paciente a realização de seus desejos. “É preciso ter sensibilidade para encarar o paciente não só como uma fatia da população. Temos que perguntar: o que você quer? O que você sente? Aonde você quer chegar?”. Para Fernando Calil, professor de Terapia Ocupacional da Uniube, esse perfil ainda deve incluir dinamismo, para que o aluno possa agir e pensar de forma mais humanizada no processo de reabilitação do futuro paciente.

Entre os alunos formados pela Uniube, 80% estão inseridos no mercado de trabalho e, ainda segundo Calil, o terapeuta ocupacional tem um amplo campo a ser explorado, atuando em hospitais, escolas, Apaes e CAP (Centro de Reabilitação Psicossocial) além, é claro, de empresas privadas – com foco na saúde do trabalhador. Fora o setor privado, há ainda a opção pelo serviço público. Entre os concursos, os salários podem variar entre mil e quatro mil reais e as vagas estão concentradas especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Mas, definitivamente, não está no curso certo o aluno que tem por objetivo somente a satisfação financeira. Ser terapeuta ocupacional requer compromisso, sensibilidade e, acima de tudo, o desejo de cuidar do próximo, compreendendo os seres humanos como serescomplexos.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2009