Serviço social quer ser reconhecido
Sociedade ainda confunde Assistência Social apenas com assistencialismo

Marcondes Júnior
Mariaurea Machado
3º Período de Jornalismo

Mariaurea Machado

Valquíria Alves Mariano explica como é feito o trabalho de gestora de Serviço Social na Uniube

A falta de conhecimento sobre a profissão de Serviço Social reflete na sociedade ao dificultar a separação entre o que é assistencialismo e a atuação profissional do assistente social. Mas este é um trabalho que busca promover a autonomia das pessoas, ao passo que aquele não vai além de socorros pontuais que não garantem cidadania.

Segundo Valquíria Alves Mariano, gestora do curso de Serviço Social da Universidade de Uberaba, a assistência social é um trabalho de politização que mostra ao usuário que ele tem direitos que são garantidos constitucionalmente. “As pessoas têm direito, por exemplo, a reivindicar medicamentos, a conseguir certos benefícios, a ter atendimento digno, a que seus filhos tenham acesso à educação. Isto é que é autonomia. É mostrar ao usuário que ele é um sujeito político, um sujeito de direitos.

A partir dessa ótica, a desconstrução da ideia do assistencialismo pelo assistencialismo, da caridade pela caridade, passa pela responsabilidade da universidade em formar profissionais capazes de mostrar qual é o verdadeiro sentido do Serviço Social. E em âmbito regional os assistentes sociais têm conseguido progresso nesse sentido.

Com mais de 20 anos de atuação profissional, a atual presidente da Associação dos Assistentes Sociais de Uberaba, Zélia de Oliveira Barbosa, relata que a situação hoje é bastante diferente de quando chegou a Uberaba na década de 80. “Na nossa região, hoje, o Serviço Social está mais em evidência por conta dos cursos existentes”, referindo-se aos iniciados a partir de 2003 na cidade.

Além disso, a própria atuação profissional dos assistentes sociais tem mudado os parâmetros de visão profissional do Serviço Social. Exemplos como o do Lar da Caridade e o do Hospital Dr. Hélio Angotti, onde profissionais do setor atuam também na elaboração e implantação de projetos e na captação de recursos, reforçam a tese de Valquíria Mariano de que “depois que o assistente social mostra o verdadeiro trabalho do Serviço Social, a instituição não fica mais sem este profissional”.

Perspectiva de futuro

A Lei 8.662 de 1993 elenca as atribuições privativas do assistente social. E estas perpassam por um variado leque de opções. “Dentro da profissão há muitas possibilidades de áreas para atuar. Quem não se identifica, por exemplo, com a área de saúde, pode se identificar em trabalhar dentro de uma empresa. Sendo assistente social, trabalha-se em diversos espaços”, exemplifica Zélia Barbosa.

Os assistentes sociais têm também como opções a área de educação, o sistema de Justiça, áreas relativas ao meio ambiente, entre outras. E entre suas possíveis atividades destacam-se o atendimento direto ao usuário das políticas sociais, o planejamento e a gestão da área social, a pesquisa, a assessoria, a consultoria e a docência no ensino superior.

Zélia Barbosa afirma que vários setores públicos e privados ainda não conseguem oferecer os recursos humanos necessários para as demandas que existem e, assim, a tendência é que o Serviço Social encontre cada vez mais espaço para sua atuação. E nem mesmo uma futura e sonhada eliminação da pobreza brasileira pode representar uma inversão deste quadro. “As demandas do Serviço Social sempre vão existir porque trabalhamos com as relações sociais e o homem não vive só”, prevê a experiente profissional.

Um exemplo claro de demanda na região é o grande fluxo de trabalhadores da indústria da cana que aqui chegam especialmente na época de colheita. “Trabalhar com o pessoal da cana nem é perspectiva de futuro, é questão de necessidade, porque traz pessoas de vários locais e junto com elas vêm situações muito particulares e o município tem que assumir essas pessoas que chegam. Então, a demanda de Serviço Social em torno disso acaba sendo maior. E mesmo depois que eles vão embora ficam questões como, por exemplo, a gravidez na adolescência. Então, não tem como os municípios não responderem a isso”, avalia Valquíria Mariano.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2009